As pessoas estavam erradas sobre Waller e Bowman: não foram guiados pela política

Ao longo do ano, circulou uma narrativa de que Waller e Bowman teriam sido influenciados por pressões políticas, já que foram indicados por Trump e passaram a defender cortes de juros antes dos demais governadores. A ideia não corresponde aos fatos.

Na prática, Waller e Bowman estavam certos sobre o mercado de trabalho. Waller, em especial, tem apresentado argumentos consistentes a favor de cortes e suas projeções se mostraram acertadas: ele esperava inflação próxima de 3% e mais fraqueza no emprego.

A inflação chegou a 3% e o mercado de trabalho enfraqueceu mais do que o esperado. A narrativa de que o Fed perderia independência por causa das nomeações sofreu um golpe ontem, quando o FOMC mostrou unidade, com todos os votos pela queda de 25 pontos-base, e apenas Miran defendendo 50 pontos-base. Miran era o único com uma projeção para seis cortes neste ano, e, de fato, acabou marginalizado — o que tende a reduzir seu peso daqui para frente.

Voltando a Waller e Bowman, eles votaram pela redução de 25 pontos-base, mantendo a consistência desde que já tinham pedido cortes em julho. A divulgação de dois NFP fracos reforçou a imagem de independência do comitê, que também tem Powell, nomeado por Trump, mantendo autonomia na condução da política monetária.

Quanto às demissões de Cook, a narrativa de que isso iria ocorrer parece sem efeito: circulam relatos de que o secretário do Tesouro, Bessent, fez alegações sobre hipotecas citando Trump para demitir Cook, mas a política monetária continua sendo decidida pela maioria, preservando a independência do FOMC.