A reunião de hoje do Federal Reserve promete ser uma das mais aguardadas em muito tempo, com potencial para surpresas relevantes nos próximos dias. No que diz respeito à trajetória da taxa de juros, o mercado já precifica um recuo de 0,25 ponto percentual, alinhado a sinais de dirigentes e a dados recentes do mercado de trabalho que permanecem fracos. No entanto, há um risco residual de que o comitê reduza ainda mais, chegando a 50 pontos-base, conforme aponta Thu Lan Nguyen, líder de FX e Pesquisa de Commodities na Commerzbank.
Risco de maior fraqueza do dólar
Conforme observado, um recuo maior pode exercer pressão adicional sobre o dólar. Isso se deve a dois fatores: primeiro, a inflação volta a subir, embora não com a velocidade prevista logo após as tarifas amplas impostas aos EUA; segundo, surgem dúvidas se medidas de estímulo monetário mais agressivas estão sendo usadas para atender pressões políticas. A presença de Stephen Miran, aliado próximo do presidente, aumenta a probabilidade de mensagens para acelerar cortes de juros.
A configuração de votos também traz potencial para surpresas. Miran pode apoiar um recuo de 50 pontos-base. Se Christopher Waller e Michelle Bowman, que já votaram contra o consenso na última reunião, se alinharem a Miran, isso poderia ser visto como sinal de politização e pressionar o dólar. O mesmo vale se os três permanecerem isolados defendendo cortes mais profundos. O mercado também considera que futuros nomeados pelo presidente poderiam seguir essa linha.
Por fim, as novas projeções do Fed — especialmente o gráfico de pontos que acompanha as expectativas de juros — serão decisivas. Se o Fed reduzir a taxa-alvo em 25 pontos-base e revisitar suas projeções para o fim deste ano e o próximo de maneira mais negativa, o sinal pode pressionar o dólar. Já uma queda de 50 pontos-base com projeções moderadas para cortes adicionais pode atenuar parte do impacto. Em resumo, há várias possibilidades, o que sugere volatilidade elevada e, na prática, maior espaço para fraqueza adicional do USD.
