Economistas da ABN AMRO, Bill Diviney e Jan-Paul van de Kerke, indicam que o BCE deve reagir ao novo choque energético com um aperto adicional, centrado em impedir efeitos de segunda ordem. Eles ressaltam que elevar as taxas não repondo o fornecimento de energia, mas pode ancorar as expectativas de inflação, com o cenário-base prevendo dois aumentos da taxa de juros nos próximos meses, à medida que o crescimento salarial se normaliza perto da meta de 2%.
Riscos de segunda ordem impulsionam a postura da política
“Esperamos que o apoio fiscal permaneça limitado, por três motivos. Primeiro, porque o impacto sobre a renda real será menor desta vez. Segundo, os governos estão mais restritos fiscalmente e mais temerosos com a volatilidade dos mercados de dívida. E terceiro, os governos estão mais conscientes do risco de gerar efeitos inflacionários de segunda ordem com suporte fiscal não direcionado.”
“De fato, a presidente do BCE, Lagarde, alertou recentemente contra esse tipo de apoio na coletiva de imprensa após a reunião do Conselho de Governança, pedindo aos governos que adotem medidas apenas seguindo os Três Ts: Temporárias, Direcionadas e Planejadas.”
“A contenção desses efeitos de segunda ordem advindos do choque energético será o objetivo-chave de qualquer aperto monetário do BCE. Nosso cenário-base aponta dois aumentos da taxa nos próximos meses.”
“Elevar as taxas não fará nada para restabelecer os suprimentos de energia perdidos com o conflito, mas ajudará a manter ancoradas as expectativas de inflação, em um momento delicado em que o crescimento salarial voltou a níveis compatíveis com a meta de 2%.”