Um economista sênior da ABN AMRO, Bill Diviney, aponta que o ECB deverá subir as taxas já nas próximas reuniões, em abril e junho, levando a taxa de depósito a 2,50% para evitar a desancoragem das expectativas de inflação. A convicção sobre o movimento de abril é maior, enquanto uma pausa em junho não pode ser descartada caso o conflito se encerre e os preços da energia se normalizem, limitando efeitos de segunda rodada em relação ao choque de energia de 2022.
Conselho de Governança: altas adiantadas
O BCE pode subir os juros preventivamente já em abril. Espero alta nas reuniões de abril e junho do Conselho, com a taxa de depósito indo a 2,50% para conter a desancoragem das expectativas de inflação.
Temos mais convicção na alta de abril do que na de junho, dadas as incertezas contínuas do conflito.
Pode ocorrer que, com o fim do conflito e a normalização rápida dos preços da energia, o Conselho alinhe suas visões sobre o cenário da inflação e decida não aumentar as taxas em junho.
O aperto de política seria voltado a evitar efeitos de segunda ordem do choque energético que podem se espalhar ao mercado de trabalho — algo observado após o choque de 2022, quando um mercado de trabalho relativamente apertado incentivou trabalhadores a buscar reajustes salariais para compensar a queda no poder de compra.
A combinação de um choque inflacionário inicial menor, aperto preventivo do BCE, uma base de juros mais alta desde o começo e um mercado de trabalho mais flexível deve impedir que esse ciclo se forme novamente nesta vez.
