ECB: Política monetária hawkish impulsionada pela inflação causada pela energia – ABN AMRO

Economistas da ABN AMRO revisam as perspectivas para a Zona do Euro após o choque de energia relacionado ao Irã, apontando crescimento mais fraco, mas inflação bem mais elevada do que o previsto. O cenário aponta para o BCE elevar as taxas duas vezes no segundo trimestre, antecipando aperto para evitar efeitos inflacionários de segunda ordem.

ECB reage ao novo choque energético

Concluímos que as previsões de crescimento foram revisadas para baixo devido ao choque energético, refletindo menor confiança de famílias e empresas e juros mais altos a curto prazo, porém com revisões ainda mais fortes para cima nas projeções de inflação.

A inflação deve sair bem acima da meta de 2% já a partir de março e permanecer em patamares superiores nos meses seguintes, à medida que preços de energia mais altos são repassados pela economia, com pressão adicional vinda de alimentos e de bens intensivos em energia.

Em resposta a esse cenário, espera-se que o BCE eleve as taxas já nas reuniões de abril e junho, levando a taxa de depósito a 2,50%, para evitar o desalinhamento das expectativas de inflação. A convicção é maior para o aperto de abril do que para o de junho, dada a incerteza contínua do conflito.

Por fim, no início de 2027, prevê-se que o BCE esteja confiante o suficiente na trajetória da inflação para reduzir gradualmente as taxas até alcançar uma política neutra, com um possível corte de juros no primeiro e no segundo trimestres de 2027, devolvendo a taxa de depósito a 2%.