Greene do BoE: o lado da oferta precisa de mais atenção

Durante uma palestra na Adam Smith Business School, da University of Glasgow, um membro do Comitê de Política Monetária (MPC) do BoE apontou que bancos centrais precisam mudar o foco para entender melhor as pressões da oferta, em vez de se limitarem a observar apenas choques de cadeia de suprimentos e demanda.

O argumento central é que as dinâmicas do lado da oferta passaram a desempenhar papéis mais relevantes e podem se tornar persistentes e entrelaçadas com outras medidas, exigindo ajustes nos quadros de política econômica.

Utilizando exemplos recentes, como a pandemia de COVID-19 e o conflito na Ucrânia, o palestrante enfatizou que choques de oferta podem se estabilizar lentamente e ter efeitos que não são fáceis de distinguir em tempo real. A ideia é adaptar políticas para uma era em que interrupções na oferta são frequentes e estruturalmente significativas.

Principais pontos

  • Política mais contida: evitar cortes de juros rápidos quando houver incerteza sobre a persistência da inflação.
  • Respostas graduais: manter uma postura cautelosa diante de riscos inflacionários e não reverter rapidamente decisões anteriores.
  • Inflação pode reagir rapidamente à política monetária quando estiver acima da meta por longos períodos.
  • Choques de oferta negativos podem continuar a surgir.
  • O mercado de trabalho pode não sofrer um colapso imediato, mas os riscos inflacionários seguem com viés de alta.
  • É necessária uma abordagem cautelosa para cortes de juros no curto prazo.

Observação sobre a inflação: o processo de desinflação tem desacelerado, a taxa neutra de juros está mais elevada, e há dúvidas sobre o quanto a política é realmente restritiva neste momento.