Em um discurso na Adam Smith Business School da Universidade de Glasgow, Megan Greene, membro do Comitê de Política Monetária do Banco da Inglaterra (BoE-MPC), afastou-se do vocabulário tradicional de planejamento de políticas, alertando que bancos centrais globais precisam adotar uma nova perspectiva sobre choques de oferta, que se tornaram a norma, não a exceção.
Greene argumentou que as autoridades monetárias devem agora prestar mais atenção à dinâmica do lado da oferta, não apenas “olhar através” de choques na cadeia de suprimentos e na demanda, como vinha ocorrendo historicamente.
Ao citar a pandemia de COVID-19 e o conflito na Ucrânia, ela ressaltou que choques de oferta podem tornar-se persistentes e inter-relacionados, dificultando a diferenciação em tempo real. Sugere que os bancos centrais podem precisar adaptar seus marcos de política para uma era em que interrupções na cadeia de suprimentos são mais frequentes e estruturalmente relevantes.
Em síntese, as condições atuais demandam ajustes nos instrumentos de política para responder à natureza dos choques de oferta.
Principais destaques
Uma postura mais restritiva pode significar evitar cortes de juros. Quando a incerteza sobre a persistência da inflação é alta, a resposta deve mirar a inflação. A cautela com cortes futuros parece adequada diante dos riscos. Não apoio reversões de política por parte das autoridades monetárias. A inflação pode responder à política monetária mais rapidamente do que a atividade quando fica acima da meta por um período prolongado. Choques de oferta negativos devem continuar. A preocupação com o desempenho do mercado de trabalho é menor. O risco para a inflação tende a subir. Os riscos da demanda fraca não desapareceram, mas diminuíram. Recomenda-se uma abordagem cautelosa quanto a cortes de juros.
A desaceleração do processo de desinflação exige cautela. A taxa de juros neutra aumentou. Não está claro se a política é suficientemente restritiva.