Zona do euro: choque de energia limita aumentos do BCE

Resumo econômico O economista sênior da Commerzbank, Dr. Vincent Stamer, observa que a inflação da zona do euro subiu 2,5% em março, movida inteiramente pelos preços de energia ligados à guerra no Irã, enquanto a inflação subjacente caiu para 2,3%. O cenário é compatível com o cenário brando do BCE, sugerindo no máximo uma alta adicional de juros, já que custos de energia e fertilizantes elevam gradualmente a inflação de núcleo e a de alimentos ao longo de 2026.

Energia impulsiona alta, mas BCE deve responder pouco

Apesar do aumento dos preços de energia, as taxas de inflação efetivas em março são mais consistentes com o cenário mais brando do BCE. Isso indica que o BCE não deve elevar as taxas-chave várias vezes, como o mercado espera.

Ao longo do ano, porém, a inflação subjacente também deve subir devido aos preços mais altos de energia – mesmo que hostilidades ativas cessem nos próximos dois meses e o preço do petróleo comece a cair novamente. Isso ocorre porque o atual aumento nos preços de energia e fertilizantes será transmitido para os demais componentes da inflação com certo atraso. Assim, até o quarto trimestre deste ano, ao menos, a inflação subjacente deverá voltar a subir diante de energia mais cara, compensando o ritmo menor de aumento dos custos com mão de obra.

Há duas semanas, a BCE publicou seus próprios cenários para as trajetórias da inflação em função da guerra no Irã. O cenário mais brando considera preços de energia mais baixos, enquanto dois cenários alternativos preveem energia significativamente mais cara.

No entanto, a inflação de março divulgada hoje está mais alinhada com o cenário brando, no qual a inflação na zona do euro sobe pouco acima de 3% no segundo trimestre. Isso, por ora, argumenta contra múltiplas altas de juros pelo banco central, conforme as expectativas do mercado.

Esperamos que o BCE eleve a taxa-chave uma vez em abril ou, pelo menos, sinalize um aperto em junho. A inflação de abril também será publicada no dia da próxima reunião do Conselho do BCE, em 30 de abril.