USD: Choque de energia e Fed hawkish apoiam o dólar, aponta BBH

Resumo do cenário: um choque de energia provocado pela escalada do conflito no Irã, aliado a uma política monetária restritiva do Fed e a aperto de outros bancos centrais, está pressionando ativos de risco e fortalecendo o dólar, com a curva de cortes mantendo-se conservadora também.

Choque energético e postura do Fed fortalecem o dólar

Os preços do Brent e do gás natural na Europa reagiram ao aumento do conflito, sugerindo um choque energético sem fim à vista. Com a Fed mantendo-se restritiva e bancos centrais próximos de aperto em meio a um crescimento fraco, o ambiente é desafiador para ações e títulos, elevando o viés de alta do dólar.

O FOMC respondeu com uma manutenção hawkish na reunião de ontem, com futuros de fundos federais reduzindo as expectativas de cortes de -0,60 ponto percentual antes do início do conflito no Irã para apenas -0,09 ponto percentual no próximo ano.

As autoridades reiteraram que a incerteza sobre a evolução econômica permanece elevada, mas as projeções atualizadas atenuam o risco de stagflation. O crescimento do PIB real foi revisado para cima ao longo do horizonte de previsão, e a inflação medida pelo PCE, tanto no índice geral quanto no núcleo, foi elevada para 2,7% em 2026, devendo convergir para 2,0% em 2028.

Os dot plots indicam uma única redução para 2026 e 2027, sem mudanças em 2028, com uma leve inclinação hawkish para 2027 e 2028. A taxa de juros de longo prazo foi elevada para 3,125% em comparação com 3,0% em dezembro, alinhando-se ao consenso.

Por fim, o presidente Powell indicou que há uma barreira alta para retomar o afrouxo, destacando três pontos: (i) a postura atual da política é apropriada; (ii) a importância de manter as taxas levemente restritivas; (iii) a possibilidade de que o próximo movimento seja um aperto voltou a aparecer.