Visão geral
A Goldman Sachs aponta que a mais recente rodada de tarifas dos EUA aumenta a persistência da inflação, alertando que o efeito acumulado pode manter a inflação do núcleo PCE em torno de 3,0% ao ano até dezembro de 2025, bem acima da meta do Federal Reserve.
Em sua atualização de cenário, o banco estima que as tarifas já implementadas neste ano elevaram os preços do núcleo PCE em 0,44 ponto porcentual, enquanto novas tarifas e propostas devem somar mais 0,6 ponto nos próximos doze meses. O efeito combinado deverá frear o ritmo da disinflacionação e complicar o horizonte de política monetária.
O documento aponta que grande parte do impulso inflacionário decorre das empresas repassando custos de importação mais altos em categorias expostas à China e à Europa. Embora pressões inflacionárias domésticas mais amplas estejam diminuindo — ajudadas pela desaceleração do mercado de trabalho e pela estabilização dos custos com moradia — a política comercial atua como uma força contrária.
Os economistas destacam que, sem esses efeitos das tarifas, o núcleo PCE ficaria provavelmente mais próximo da faixa de 2% ao ano, indicando que as tensões comerciais, em vez de uma demanda superaquecida, explicam a persistência do aumento de preços até 2026.
O prognóstico sugere que a inflação pode permanecer acima da meta por mais tempo do que o mercado espera, desafiando a esperança de cortes mais rápidos da taxa pelo Fed. Leituras persistentes do núcleo PCE alimentadas por tarifas podem reforçar a cautela entre os formuladores de política e sustentar incertezas nos títulos do Tesouro e nas apostas de corte de juros.