Analistas da Wells Fargo destacam que o conflito no Irã e o aumento dos preços do petróleo reacendem a inflação ao consumidor, interrompendo a sequência de queda de inflação observada nos últimos trimestres. A projeção mostra o PCE agregado subindo até 3,7% em relação ao mesmo período do ano anterior no segundo trimestre, com o núcleo do PCE permanecendo entre 2,7% e 3,1% até 2026, e com pressões influenciadas pela energia que devem se espalhar para categorias como passagens aéreas e alimentação.
Choque energético eleva a trajetória do PCE
Relatos indicam que a inflação de março pode interromper a desinflação. Preços de energia mais altos já se incorporam aos valores nas bombas, encerrando a sequência de dois anos com queda de inflação.
Inflacionar movida pela energia tende a persistir e pressionar outros componentes. Espera-se que a inflação do núcleo do PCE termine o ano em 2,8% na comparação entre o quarto trimestre e o anterior.
Atualizamos o cenário de inflação à medida que o conflito no Oriente Médio se mantém. Prevemos que o deflator do PCE atinja 3,7% em comparação anual no segundo trimestre. O choque energético deve permanecer centrado em petróleo e combustíveis, ao menos nos EUA, enquanto os preços domésticos de gás natural se mantêm sob controle. Ainda assim, custos maiores de combustível devem repercutir em outras categorias, com passagens aéreas e alimentação mais expostas. A desaceleração na inflação de moradia e o eventual alívio de pressões tarifárias devem, em parte, compensar o efeito do choque de energia, mas não completamente. Mantemos a projeção de que a inflação núcleo do PCE ficará entre 2,7% e 3,1% ao longo do restante do ano, sinalizando o fim da trajetória gradual de desinflação que sustentou os últimos dois anos.

