Ouro sob pressão: Juros de 5% nos Treasuries e semana do FOMC impactam o metal

O ouro (XAU/USD) começa a semana em desvantagem, com uma queda de cerca de 0,85% na segunda-feira, após atingir o menor patamar em um mês, a US$ 4.253, em uma semana que contará com a decisão de política monetária do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC). No momento da escrita, o XAU/USD negociava a US$ 4.310.

A força generalizada do dólar americano e os elevados rendimentos dos Treasuries dos EUA, impulsionados pela alta dos preços da energia, mantêm o metal sem rendimento sob pressão na segunda-feira. Ataques Houthi ao oleoduto East-West da Arábia Saudita desencadearam um desligamento preventivo, reduzindo a produção de petróleo em cerca de 7 milhões de barris por dia.

O West Texas Intermediate (WTI), benchmark do petróleo dos EUA, ultrapassou o patamar de US$ 100 e, no momento da escrita, registra ganhos de mais de 1,50%. Especulações de que a inflação pode subir mais, após os relatórios de PPI e CPI dos EUA da semana passada, elevaram os rendimentos dos Treasuries americanos, com o de 10 anos ultrapassando 5% pela primeira vez desde 2023.

O Índice do Dólar (DXY), que acompanha o desempenho da moeda americana contra as outras seis, está em alta de 0,32%, a 99,41.

Dados do Prime Terminal mostram que as chances de um aumento de juros de um quarto de ponto pelo Federal Reserve (Fed) na quarta-feira são de 93%. Além disso, uma pesquisa da Reuters após a divulgação dos dados de inflação dos EUA revelou que a maioria dos analistas prevê um aumento de juros pelo banco central dos EUA e espera pelo menos mais um aumento até o final de março de 2027.

Esta semana é uma “bonanza” de bancos centrais. Além da decisão do Federal Reserve, espera-se que o Banco da Inglaterra mantenha a Taxa Bancária inalterada em 3,75%, embora a divisão de votos de 6-3 seja esperada para se repetir pela terceira vez. Na sexta-feira, espera-se que o Banco do Japão aumente os juros em 25 pontos base para 1,25%.

Esta é mais uma razão pela qual os preços do ouro estão sob pressão de queda. Mesmo que o ouro seja um ótimo ativo como hedge contra a inflação, o aumento dos rendimentos globais dos títulos diminui seu apelo.

Previsão de Preço XAU/USD: Ouro testa mínimas de dois meses, pairando em torno de US$ 4.350

Após cair para uma mínima de cinco semanas, parece que o ouro está formando um padrão de candle martelo após testar a Média Móvel Simples (MMS) de 50 dias em US$ 4.271 e recuperar o patamar de US$ 4.300. Se o XAU fechar a sessão de segunda-feira acima da MMS de 100 dias de US$ 4.351, abrirá caminho para novas altas.

O Índice de Força Relativa (RSI) permanece em território de baixa, indicando mais quedas. Portanto, sinais mistos entre o RSI e a ação do preço podem abrir caminho para alguma consolidação.

Na alta, a primeira resistência é o nível psicológico de US$ 4.400. Romper este ponto abre alvos psicológicos em US$ 4.450 e US$ 4.500, antes de atingir a MMS de 200 dias em US$ 4.539.

Na baixa, o XAU/USD precisa cair abaixo da MMS de 100 dias e romper os US$ 4.300. Abaixo disso estão a segunda mínima de setembro de US$ 4.282, e depois a MMS de 50 dias em US$ 4.271.

Gráfico diário do ouro

FAQs sobre Ouro

Por que as pessoas investem em ouro?

O ouro desempenhou um papel fundamental na história humana, sendo amplamente utilizado como reserva de valor e meio de troca. Atualmente, além de seu brilho e uso em joias, o metal precioso é visto como um ativo de refúgio seguro (safe-haven), o que significa que é considerado um bom investimento em tempos turbulentos. O ouro também é amplamente visto como uma proteção contra a inflação e contra a desvalorização de moedas, pois não depende de nenhum emissor ou governo específico.

Quem compra mais ouro?

Os bancos centrais são os maiores detentores de ouro. Em seu objetivo de apoiar suas moedas em tempos turbulentos, os bancos centrais tendem a diversificar suas reservas e comprar ouro para melhorar a percepção de força da economia e da moeda. Altas reservas de ouro podem ser uma fonte de confiança na solvência de um país. Os bancos centrais adicionaram 1.136 toneladas de ouro, no valor de cerca de US$ 70 bilhões, às suas reservas em 2022, de acordo com dados do World Gold Council. Esta é a maior compra anual desde o início dos registros. Bancos centrais de economias emergentes, como China, Índia e Turquia, estão aumentando rapidamente suas reservas de ouro.

Como o ouro é correlacionado com outros ativos?

O ouro tem uma correlação inversa com o dólar americano e os Treasuries dos EUA, que são ambos importantes ativos de reserva e refúgio seguro. Quando o dólar se deprecia, o ouro tende a subir, permitindo que investidores e bancos centrais diversifiquem seus ativos em tempos turbulentos. O ouro também é inversamente correlacionado com ativos de risco. Uma alta no mercado de ações tende a enfraquecer o preço do ouro, enquanto quedas em mercados mais arriscados tendem a favorecer o metal precioso.

Do que depende o preço do ouro?

O preço pode variar devido a uma ampla gama de fatores. Instabilidade geopolítica ou temores de uma recessão profunda podem rapidamente fazer o preço do ouro disparar devido ao seu status de refúgio seguro. Como um ativo sem rendimento, o ouro tende a subir com taxas de juros mais baixas, enquanto um custo de dinheiro mais alto geralmente pesa sobre o metal amarelo. No entanto, a maioria dos movimentos depende de como o dólar americano (USD) se comporta, já que o ativo é precificado em dólares (XAU/USD). Um dólar forte tende a manter o preço do ouro controlado, enquanto um dólar mais fraco provavelmente impulsionará os preços do ouro para cima.

Autor
Christian Borjon Valencia
FXStreet

Analista de mercados, editor de notícias e instrutor de trading com mais de 14 anos de experiência em FX, commodities, índices de ações dos EUA e mercados macro globais.

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