Ouro recua enquanto traders realizam lucros, apesar de aumentarem as apostas dovish do Fed

  • XAU/USD recua 0,14% apesar da fraqueza ampla do dólar e da queda nos rendimentos.
  • Pedidos de auxílio-desemprego nos EUA atingem o maior nível em quase quatro anos, consolidando aproximadamente 90% de probabilidade de um corte de 25 bps na taxa do Fed desde dezembro.
  • Riscos geopolíticos persistem após a Polônia abatendo drones russos, fortalecendo o apelo de refúgio seguro mesmo com realização de lucros.

O preço do ouro reduziu parte das perdas iniciais na quinta-feira, ficando no negativo, com a matéria-prima testando o recuo de 0,14% conforme a leitura mais recente da inflação ao consumidor veio em linha com as estimativas. Ainda assim, os dados de empregos pesaram sobre o CPI de agosto, com o número de pessoas que ingressaram com pedidos de seguro-desemprego aumentando. O XAU/USD operava perto de US$ 3.635, após alcançar novo máximo diário de US$ 3.649.

Ouro recua após CPI fraco e aumento de pedidos de desemprego alimentam expectativas de afrouxamento

O Departamento de Estatísticas do Trabalho (BLS) apontou inflação estável do lado do consumo, com o CPI agregado abaixo da meta de 3%. Ao mesmo tempo, os pedidos iniciais de seguro-desemprego para a semana que terminou em 6 de setembro subiram para o maior nível em quase quatro anos. Isso reforçou a convicção de um corte de juros do Fed na próxima semana, o primeiro desde dezembro do ano passado.

Com CPI e PPI já em revisão, os mercados precificavam cerca de 90% de chance de um corte de 25 pontos-base. As probabilidades de um corte de 50 bps são baixas, situadas em torno de 10%, segundo o Prime Market Terminal.

Apesar de isso favorecer o metal, muitos traders vêm reservando lucros, já que o ouro, sem rendimento, não ganhou impulso mesmo com a fraqueza generalizada do Tesouro americano e a fraqueza do dólar.

Enquanto isso, os riscos geopolíticos devem continuar a ampliar o apelo do ouro, especialmente após a Polônia ter abatido drones russos em seu espaço aéreo, marcando o primeiro embate direto envolvendo países da OTAN desde a invasão da Ucrânia.

Movimentação diária: Ouro sobe com inflação americana em leve queda

  • O CPI de agosto subiu de 2,7% para 2,9% na base anual, conforme estimativas. Enquanto isso, o núcleo do CPI permaneceu estável em 3,1% (YoY), em linha com previsões e sem alterações em julho. A reação do mercado foi contida, já que as probabilidades de cortes não mudaram.
  • Pedidos iniciais de seguro-desemprego para a semana encerrada em 6 de setembro passaram de 237 mil para 263 mil, superando as expectativas.
  • Após o discurso do presidente Powell em Jackson Hole, no qual ele afirmou que a prioridade é o pleno emprego, em vez da inflação, as chances de um corte já estariam totalmente precificadas para a próxima semana.
  • O avanço do ouro segue firme, com ganhos de cerca de 38,5% no ano até o momento, refletindo o ambiente de afrouxamento monetário e tensões comerciais persistentes.
  • O índice do dólar (DXY) cai 0,22%, indexando 97,59 pontos frente a uma cesta de moedas.
  • Os rendimentos dos títulos do Tesouro americano recuam, com a nota de 10 anos recuando cerca de 2,5 bps para 4,019%. Rendimentos reais caem quase 3 bps para 1,669% ao momento.
  • O BLS revisou para baixo a variação anual de salários para -911 mil nos 12 meses até março de 2025, superando as estimativas de -682 mil, segundo a Bloomberg.

Perspectiva técnica: o ouro fica abaixo de US$ 3.640

O preço do ouro se mantém em consolidação pelo terceiro dia consecutivo, após atingir uma máxima histórica de US$ 3.674 na terça-feira. O RSI começa a sinalizar condições de sobrecompra, limitando o viés de alta.

Se o XAU/USD superar US$ 3.650, pode haver movimento rumo às máximas anteriores, próximas de US$ 3.700. Ultrapassando esse nível, o próximo alvo fica em torno de US$ 3.750, seguido de 3.800. Por outro lado, se o ouro cair abaixo de US$ 3.600, o primeiro suporte fica em torno de US$ 3.550, seguido pela resistência anterior de US$ 3.500 em 22 de abril.

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Perguntas frequentes sobre o Ouro

Por que as pessoas investem em Ouro?

O ouro tem um papel histórico como reserva de valor e meio de troca. Além de seu brilho, é visto como ativo de refúgio, especialmente em tempos de turbulência, servindo também como proteção contra inflação e desvalorizações de moedas, já que não depende de um emissor específico.

Quem mais compra Ouro?

Bancos centrais são os maiores detentores de Ouro. Em momentos de turbulência, eles diversificam reservas e compram Ouro para sustentar a percepção de solidez da economia e da moeda. Dados de 2022 mostram aquisição recorde, 1.136 toneladas, com bancos centrais de economias emergentes aumentando seus estoques.

Como o Ouro se correlaciona com outros ativos?

O Ouro tende a se mover inversamente ao Dólar Americano e aos Títulos do Tesouro, servindo como proteção em cenários de turbulência. Também mostra correlação inversa com ativos de maior risco: quando ações sobem, o Ouro costuma recuar, e quando há recuos do mercado, o ouro tende a se valorizar.

Do que depende o preço do Ouro?

O preço responde a uma variedade de fatores. Incerteza geopolítica ou temores de recessão elevam o ouro por seu status de refúgio. Como ativo sem rendimento, ele tende a subir com cortes de juros e com quedas da taxa de juros real; a direção principal, porém, é influenciada pelo comportamento do dólar, pois o ouro é precificado em dólares.