Ouro consolida-se próximo de US$ 3.650 antes da revisão do NFP dos EUA

  • Ouro amplia a alta histórica, encostando-se em pico próximo de US$ 3.660,00, cotado em torno de US$ 3.650 nesta terça-feira.
  • Mercados já precificam integralmente um corte de juros do Federal Reserve em setembro, com uma queda de 25 pontos-base vista como quase certa.
  • O XAU/USD consolida-se pouco abaixo das máximas históricas no gráfico de 1 hora, com divergência no RSI sinalizando fadiga de momentum.

O ouro (XAU/USD) continua sua trajetória de alta, atingindo um patamar histórico próximo de US$ 3.660, marcando o terceiro dia seguido de ganhos e entrando em território inédito. No momento da redação, o XAU/USD opera em torno de US$ 3.650, com ganho de cerca de 0,5% no dia.

Um dólar americano mais fraco impulsionou o rali, tornando o ouro mais atraente para compradores internacionais. Ao mesmo tempo, leituras de emprego dos EUA decepcionantes reforçaram a possibilidade de o Federal Reserve cortar os juros na reunião de 16-17 de setembro. A perspectiva de política monetária mais frouxa sustenta a demanda por ouro, mantendo o apetite dos investidores.

Compras de bancos centrais continuam oferecendo suporte adicional, com grandes detentores diversificando reservas fora do dólar. Preocupações com atritos comerciais globais ligados às tarifas dos EUA, aliadas a tensões geopolíticas, fortalecem os fluxos de refúgio para o ouro. A incerteza sobre a independência do Fed diante de pressões políticas também aumenta a ansiedade do mercado.

Olhando adiante, traders vão acompanhar de perto a revisão do Nonfarm Payrolls (NFP), marcada para as 14:00 GMT, que pode redesenhar o cenário do mercado de trabalho. As estimativas apontam para um recuo acentuado, possivelmente eliminando até 800 mil vagas. Uma revisão mais profunda reforçaria a percepção de que a economia dos EUA está desacelerando mais rápido do que divulgado, consolidando a narrativa de cortes na política monetária e mantendo o momentum de alta do ouro.

Principais impulsionadores: o mercado de olho no CPI e PPI dos EUA conforme as apostas de cortes sobem

  • O DXY, índice que mede o dólar frente a uma cesta de seis moedas, caiu para o menor nível em sete semanas — mais fraco desde 24 de julho — antes de se estabilizar próximo de 97,40 no momento da redação. O índice permanece sob pressão devido a uma visão dovish do Fed, com o banco central priorizando o emprego máximo em vez da estabilidade de preços.
  • Rendimentos das Treasuries estabilizaram ao longo da curva após uma queda de quatro dias. A taxa do Tesouro de 10 anos fica em torno de 4,06%, a de 30 anos próximo de 4,72%, e a de 2 anos em 3,50%. A recente elevação dos prêmios sugere perda de impulso da economia, pressionando o Fed a facilitar mais cedo.
  • Mercados continuam precificando um corte de 25 bps na reunião de 16-17 de setembro, mas as chances de um movimento maior de 50 bps subiram para cerca de 11% após o fraco NFP. Futuros apontam para quase 75 bps de cortes até o fim do ano e aproximadamente 140 bps nos próximos 12 meses, segundo o BHH Marketview.
  • França: o Primeiro-Ministro François Bayrou perdeu uma moção de confiança no parlamento, abrindo caminho para sua renúncia, com o Presidente Emmanuel Macron aceitando a renúncia e nomeando um novo premier nos próximos dias.
  • O presidente dos EUA, Donald Trump, sinalizou disposição para lançar a “segunda fase” de sanções contra a Rússia. O chefe da política externa da UE, António Costa, confirmou que o bloco está preparando o 19º pacote de sanções em coordenação estreita com Washington.
  • Todos os olhos estão na PPI dos EUA na quarta-feira, seguido pelo CPI na quinta-feira, que devem guiar o caminho da política do Fed. Mercados esperam sinais de desinflação, com previsões de ganhos mensais modestos. Um conjunto de leituras mais fracas pode reforçar a expectativa de cortes na próxima semana, enquanto surpresas positivas podem reduzir as apostas dovish e pressionar o ouro.

Análise técnica: XAU/USD consolida em torno de US$ 3.650 com divergência no RSI sinalizando cautela

O ouro está consolidando pouco acima de US$ 3.650, com um range intradiário estreito acima de US$ 3.640. As médias móveis de 50h e 100h mostram inclinações ascendentes, apontando viés de alta.

Indicadores de momentum indicam cansaço: o RSI em 1h fica na região de sobrecompra, apresentando divergência com o preço; o MACD permanece positivo, mas o histograma mostra enfraquecimento, sugerindo consolidação antes de um novo avanço.

Um fechamento acima de US$ 3.660 pode abrir caminho para US$ 3.680–3.700; o suporte imediato fica em US$ 3.640. Abaixo, a SMA de 50h em US$ 3.613 e o patamar de US$ 3.600 são pontos chave, seguidos pela SMA de 100h em US$ 3.581 e cerca de US$ 3.575 como amortecedores adicionais.

Indicador Econômico

Revisão da Nonfarm Payrolls (NFP)

O Bureau of Labor Statistics (BLS) dos EUA divulga a estimativa preliminar da revisão anual da série de empregos do establishment, que pode impactar também os dados de Nonfarm Payrolls nos doze meses até março. Essa revisão preliminar pode influenciar os números de empregos ao longo do restante do ano.

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Próximo release: Ter, 09 de set, 2025 14:00

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Fonte: BLS