O ouro está operando próximo de US$ 3.650, após recuo, mantendo-se em uma faixa estreita após alcançar o pico histórico ao redor de US$ 3.675 nesta semana.
A demanda por refúgio seguro permanece firme diante de tensões comerciais globais e riscos geopolíticos, fortalecendo o viés positivo para o metal amarelo.
O mercado já precifica um corte de 25 pontos-base na reunião do Federal Reserve, marcada para a semana que vem, com a probabilidade indicada pelo CME FedWatch em torno de 90%.
Dados recentes dos EUA reforçam a viabilidade de abrandar a política monetária. O CPI de agosto aponta inflação ainda elevada, mas com sinais de arrefecimento da economia. As folhas de pagamento não agrícolas ficaram estagnadas em agosto, a criação de empregos revisada para baixo e as solicitações iniciais de seguro-desemprego subiram para patamares não vistos há anos. Ao mesmo tempo, a pressão sobre os preços ao produtor diminuiu.
Esses números, aliados a fatores externos como tensões geopolíticas e atritos comerciais, ampliam o impulso para uma perspectiva global positiva para o ouro. O dólar americano tem mostrado fraqueza limitada, mas ainda pesa sobre o teto de valorização do metal, enquanto o ouro tende a se manter como proteção em cenários de incerteza.
Principais impulsionadores: Ouro estabiliza-se diante de inflação persistente e dados de emprego fracos
- Inflação dos EUA avançou em agosto, com o CPI subindo 0,4% na base mensal, acima da previsão de 0,3%; no acumulado anual, a inflação ficou em 2,9%.
- Os pedidos trabalhistas iniciais (Initial Jobless Claims) subiram para 263 mil na semana encerrada em 6 de setembro, a maior leitura em quase quatro anos. A média móvel de quatro semanas foi para cerca de 240,5 mil, sinalizando pressão no mercado de trabalho.
- O índice Dólar (DXY) estabiliza após recuo de quinta-feira, negociando ao redor de 97,66, com alta de cerca de 0,12% no dia. A recuperação do dólar atua como obstáculo para o ouro, limitando a valorização.
- Receitas de tarifas dos EUA atingiram aproximadamente US$ 30 bilhões em agosto, marcando o primeiro mês completo sob regime de tarifas recíprocas.
- O Financial Times informou que os EUA pressionam aliados do G7 para impor tarifas elevadas sobre China e Índia em meio às compras de petróleo russo, buscando pressão econômica para levar Moscou a negociações de paz.
- Na sexta-feira, a leitura preliminar da Universidade de Michigan trará nova leitura sobre a confiança das famílias e as expectativas de inflação. O índice de sentimento do consumidor deve ficar em 58,0, levemente abaixo de 58,2 em agosto, enquanto o índice de expectativas é projetado em 54,9.
Análise técnica: XAU/USD consolida abaixo de máximas históricas
XAU/USD consolida-se no gráfico de 4 horas logo abaixo de sua máxima histórica em torno de US$ 3.675. A ação de preço tem ficado dentro de uma faixa estreita entre US$ 3.620 e US$ 3.650, refletindo pausa no momentum após a alta da semana.
A média móvel de 21 períodos, ≈US$ 3.640, atua como suporte imediato, enquanto a média de 50 períodos, em torno de US$ 3.596, oferece amortecimento mais sólido, alinhada com o nível psicológico de US$ 3.600. No lado positivo, a resistência fica próxima de US$ 3.650, seguida da máxima histórica em US$ 3.675. Rompimento acima dessa zona poderia abrir caminho para o patamar psicológico de US$ 3.700.
Indicadores de momentum apontam para consolidação dentro de uma tendência de alta, com o RSI por volta de 61 e o ADX em torno de 42, sugerindo força de tendência ainda robusta, apesar de a intensidade direcional ter atenuado levemente.
Perguntas frequentes sobre Ouro
- Por que as pessoas investem em ouro? O ouro funciona como reserva de valor e proteção em tempos de incerteza; é amplamente visto como refúgio seguro, além de hedge contra inflação e depreciação de moedas.
- Quem detém mais ouro? Bancos centrais são os maiores detentores, diversificando reservas para sustentar a confiança na solvência. Em 2022, bancos centrais adicionaram toneladas de ouro, marcando recorde histórico.
- Como o ouro se relaciona com outros ativos? O ouro tende a se mover inversamente ao dólar e aos títulos do Tesouro dos EUA; quando o dólar recua, o ouro costuma subir, e quando o mercado é mais arriscado, o ouro costuma se valorizar em momentos de aversão a risco.
- Do que depende o preço do ouro? O preço é influenciado por fatores como instabilidade geopolítica, recessão, juros e comportamento do dólar. Um dólar forte tende a limitar o ouro, enquanto dólar mais fraco costuma impulsioná-lo.