Elias Haddad, estrategista do Brown Brothers Harriman (BBH), observa que a inflação no Reino Unido permanece persistentemente acima da meta, o que limita a capacidade do Banco da Inglaterra (BoE) de ignorar o choque nos preços de energia. No entanto, ele argumenta que as expectativas atuais de alta de juros pelo BoE são excessivas, dada a ociosidade estimada na economia.
Após a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) de março, Haddad espera que o GBP/USD permaneça confinado em um range entre 1.3400 e 1.3700 no curto prazo.
Precificação do BoE é vista como agressiva
“A inflação persistentemente acima da meta no Reino Unido deixa o BoE com pouco espaço para ignorar o choque energético. Em linha com o consenso, a inflação cheia acelerou para 3,3% a/a, contra 3,0% em fevereiro, impulsionada pelos preços dos combustíveis. O núcleo da inflação (excluindo energia, alimentos, álcool e tabaco) desacelerou inesperadamente para 3,1% a/a (consenso: 3,2%), enquanto a inflação de serviços subiu para 4,5% a/a”, destaca o BBH.
A curva de swaps do Reino Unido ajustou-se para cima após o relatório do CPI, implicando maiores probabilidades de quase 50 bps de aumento nas taxas de juros nos próximos doze meses. Contudo, o BBH mantém a visão de que as apostas em altas do BoE estão muito elevadas.
“As apostas de alta de juros do BoE ainda são exageradas, em nossa visão, dada a folga excessiva na economia. O BoE estima um hiato do produto negativo de -1% do PIB em 2026”, afirma Haddad. Com isso, a tendência é que a libra esterlina enfrente resistência para romper níveis superiores, mantendo a consolidação no intervalo mencionado.