O mercado de títulos se curva, mas ainda não quebra

Mercado global de títulos em movimento

Enquanto rendimentos de prazo mais longo sobem por todo o mundo nesta semana, o radar ficou voltado para se os yields de 30 anos dos EUA ultrapassariam o patamar crítico de 5%. No Japão, os rendimentos de 30 anos atingiram patamares inéditos; no Reino Unido, o índice atingiu o maior nível desde 1998 e na França também houve máxima desde 2009.

Esses movimentos vieram junto com a marca de 5% nos EUA, que foi brevemente alcançada, mas não mantida, e os rendimentos recuaram globalmente para próximo de 4,90%.

É uma história de curva que se curva, mas não quebra, pelo menos por enquanto.

O alívio surgiu também com dados norte-americanos mais fracos, especialmente o relatório de vagas de emprego (JOLTS). Vagas de emprego recuaram, com 7,181 milhões referentes ao mês, frente a 7,378 milhões esperados.

Vagas de emprego fracas podem reduzir o apetite dos vigilantes do mercado de bonds, levando o Fed a considerar cortes de juros mais rápidos e profundos, o que pode criar uma corrida entre ajuste de política e riscos de estagflação, caso esse cenário se materialize.

Para contextualizar: a curva de juros dos EUA continua a se acentuar após Jackson Hole. Mas, por ora, os mercados devem acompanhar de perto o relatório de empregos dos EUA, com outra leitura fraca ajudando a aliviar a pressão e impedir que os rendimentos disparem muito mais até o fim da semana.

Ainda assim, a válvula de pressão permanece ligada, já que tensões globais nos títulos coexistem com preocupações fiscais domésticas. O patamar de 5% pode ficar para trás temporariamente, mas não deve ser a última menção desse tema neste ano.