Panorama de mercado
A reação do mercado às negociações de títulos e seus rendimentos ontem foi um gatilho para a volatilidade. Rendimentos de prazos mais longos continuam subindo ao redor do mundo, pressionando os mercados. No começo, houve fuga para o dólar e venda generalizada. Não estou convencido de que essa seja a melhor estratégia, a menos que vejamos uma correção muito mais profunda nas ações.
O ouro recuou de máximas próximas de 3.500 para cerca de 3.470; comentei que a queda pode não durar, pois a movimentação no mercado de títulos tende a favorecer o metal, e houve recuperação nos EUA rompendo acima de 3.500.
Para contextualizar, a curva de juros dos EUA continua a se inclinar após o encontro de Jackson Hole.
O rendimento dos títulos de 30 anos está próximo de 5%, marco definidor para o cenário global, mesmo com rendimentos de longo prazo no Reino Unido e na França atingindo máximos históricos. Não vai demorar para testar esse terreno com o relatório de empregos não agrícolas de sexta-feira.
Voltando ao ouro, a recente elevação oferece fôlego aos compradores manterem o impulso, especialmente após um período de consolidação desde o fim de maio.
No entanto, acredito que é necessário confirmar com dados dos EUA nesta semana para sustentar o movimento de alta. À medida que os rendimentos sobem, algo terá que ceder.
Pode ser uma política mais clara por parte da administração dos EUA ou sinais de que a economia está desacelerando o suficiente para pressionar o Fed a cortar as taxas mais rapidamente. Caso contrário, seguimos em uma trajetória que pode impactar bastante a forma como os mercados se posicionaram neste ano.
Além do ouro, a prata também está em destaque, mirando cerca de 40,75, com o preço no nível mais alto desde 2011, encontrando pouca resistência pela frente. A máxima de 2011 foi 49,81 e o pico anterior, em 1979/80, chegou a 48,00. Esse pode ser o próximo objetivo caso a prata consolide uma nova faixa superior.