A cura para as altas taxas pode ser taxas maiores: estudo de caso com rendimentos de longo prazo no Reino Unido

Hoje, o rendimento de 30 anos do Reino Unido atingiu um patamar no topo do ciclo, o mais alto desde 1998. A narrativa principal é, claro, a preocupação com a dívida pública, já que governos continuam gastando cada vez mais. Os custos de financiamento do Reino Unido são os mais altos entre as nações do G7.

Mas essa não é uma história apenas britânica. É global.

Os rendimentos de longo prazo têm subido em outros países importantes também, e o problema não é apenas o gasto público, mas a inclinação acomodatícia dos bancos centrais. Isso também ajuda a explicar a alta dos preços do ouro.

A inflação é o pior inimigo dos títulos, e os bancos centrais não estão combatendo a inflação com a intensidade necessária. No caso do Reino Unido, o BoE tem cortado as taxas de juros diante da inflação mais alta entre os países do G7, em meio a déficits fiscais elevados.

Isso é uma anomalia para o mercado de renda fixa.

A cura para esse problema, ironicamente, poderia ser taxas de juros mais altas. Os bancos centrais deveriam ajustar sua função de reação e colocar subidas de juros na mesa. Para o Reino Unido, os danos podem já ser irreversíveis, e reduzir os rendimentos de longo prazo pode exigir uma recessão dolorosa. Não vejo outra saída senão políticas contracionistas.

Os rendimentos de longo prazo cairiam se os bancos centrais elevassem as taxas, porque o mercado de títulos esperaria uma desaceleração econômica acentuada, maior desemprego e, por fim, inflação mais baixa.

Isso é o que os bancos centrais buscavam evitar, mirando um pouso suave em vez de trazer a inflação rapidamente à meta. Agora, esse pouso suave pode ter ficado para trás, e a única saída pode ser um pouso duro.