Ouro permanece em alta, o dólar recua, e cortes de juros do Fed alimentam o ímpeto do metal. Investidores buscam refúgio frente à incerteza global, enquanto sinais mistos de inflação e emprego nos EUA guiam o rumo da política monetária e fortalecem a confiança no ouro em um momento crítico.
O metal amarelo chegou a tocar níveis próximos de US$ 3.500, com o XAU/USD mantendo a trajetória de alta na abertura da semana, apoiado pela fraqueza do Dólar e pelas expectativas de um corte de juros do Fed em setembro.
No momento da redação, o par XAU/USD operava próximo de US$ 3.470, perto da resistência, após atingir US$ 3.489 durante as negociações asiáticas e manter-se próximo da máxima histórica de 3.500. Um ajuste técnico mínimo e rendimentos estáveis dos títulos públicos pesam sobre o humor do mercado, com volume de negociação ainda reduzido pelo feriado.
Além das expectativas de política monetária, o ouro continua a ser visto como proteção em tempos de incerteza sobre políticas comerciais dos EUA e a independência do Fed. Uma decisão de um tribunal de apelações federal indicou que grande parte das tarifas de Trump é questionável legalmente, o que adiciona suporte ao ouro diante de tensões geopolíticas.
Movimentação de mercado
- O índice do dólar (DXY) opera próximo de um mês de mínima, em torno de 97,50, com investidores precificando um cenário mais dovish para o Fed e fortalecendo a demanda por ouro em detrimento de moedas globais.
- Rendimentos dos Treasuries aparecem estáveis na curva, com o vencimento de 10 anos em torno de 4,23% e o de 30 anos próximo de 4,93%. O rendimento de títulos atrelados à inflação (TIPS de 10 anos) negocia em ~1,82%.
- A leitura do PCE núcleo mostrou ganho de 0,3% m/m em julho, mantendo o ritmo anual em 2,9%. O PCE total caiu 0,2% m/m, em 2,6% ao ano. Mesmo com a leitura mais firme, traders ainda precificam mais de 80% de probabilidade de um corte de 25 pontos base na reunião de setembro do Fed.
- Como parte do calendário econômico, dados de empregos (JOLTS, pedidos de auxílio-desemprego e NFP) serão decisivos para confirmar o tom da política monetária no curto prazo, enquanto o ISM de manufatura e de serviços entram na agenda da semana.
- Na análise técnica, o ouro mantém viés positivo após romper faixas de consolidação e testar o patamar psicológico de US$ 3.500. Um fechamento diário acima desse nível abriria portas para a faixa de US$ 3.550–3.600 no curto prazo, com suporte próximo a US$ 3.450 e, em seguida, US$ 3.400. A média móvel de 21 dias em torno de US$ 3.373 atua como piso dinâmico caso haja recuo.
Indicadores de momentum apontam para continuidade da pressão de compra, com o RSI próximo a 69 e o MACD mantendo o viés positivo, sugerindo que o impulso de alta pode persistir enquanto o ouro permanecer acima do suporte de curto prazo.