- O ouro continua em alta, atingindo novas máximas pelo terceiro dia seguido nesta terça-feira, impulsionado por apostas de cortes de juros do Fed que mantêm o dólar sob pressão.
- O metal não rende juros atrai demanda de investidores que buscam proteção em momentos de volatilidade e incerteza econômica.
- Especialistas alertam para condições de sobrecompra extremas, sugerindo cautela antes de novas apostas de alta.
O ouro (XAU/USD) estende sua jornada de valorização recente, superando a marca de US$ 3.650 durante a sessão asiática desta terça. O relatório de empregos não-agrícola (NFP) divulgado na sexta-feira sinalizou sinais de enfraquecimento do mercado de trabalho americano, fortalecendo expectativas de que o Fed reduzirá os custos de empréstimo em sua próxima reunião de política monetaria. Além disso, traders já precificam a possibilidade de três cortes de juros até o fim deste ano, o que derruba o dólar e favorece o ouro.
Ademais, tensões políticas no Japão e na França aparecem como fatores adicionais que elevam a atratividade do ouro como ativo de refúgio. O impulso positivo atual parece resiliente, apesar do humor de risco favorável que historicamente reduz a demanda pelo metal. Dito isso, as condições de sobrecompra extrema podem limitar novos ganhos, e quedas podem ser vistas como oportunidades de compra.
O enfoque do mercado agora se volta para a divulgação dos próximos índices de inflação dos EUA — o Producer Price Index (PPI) e o Consumer Price Index (CPI) — ainda nesta semana, que devem influenciar a trajetória do dólar.
Resumo diário: Ouro permanece sustentado por apostas de cortes do Fed e fluxos de refúgio
- Dados de empregos fracos reforçam a expectativa de cortes de juros pelo Fed e elevam o preço do ouro a novas máximas em três dias seguidos.
- Apesar da tendência positiva, traders consideram a possibilidade de um corte agressivo em setembro e aguardam novos sinais de política monetária.
- O ambiente geopolítico continua a sustentar o ouro como proteção contra riscos para países com alta exposição a tensões internacionais.
- Quedas adicionais no dólar podem reforçar o movimento de alta do ouro no curto prazo, mesmo com o indicador RSI exibindo condições de sobrecompra.
Em termos técnicos, o RSI diário permanece acima de 70, sugerindo a necessidade de alguma consolidação de curto prazo. Caso haja recuo, os compradores devem observar a região por volta de US$ 3.600, com suportes intermediários em torno de US$ 3.565-3.560 e, mais abaixo, próximos de US$ 3.510. Uma queda abaixo de US$ 3.500 pode abrir espaço para perdas adicionais.
O cenário aponta normalmente para uma continuidade de alta, mas o momento exige cautela diante da sobrecompra, com atenção especial às próximas divulgações de inflação nos EUA para confirmar a direção.