Tarifas em dilema dominam o início da semana
A decisão do Tribunal de Apelações dos EUA, no Circuito Federal, foi de 7 a 4, determinando que as tarifas recíprocas implementadas por Trump são ilegais. O veredito aponta que o uso da IEEPA foi inadequado para impor tarifas contra Canadá, México, China e outros participantes. Mais detalhes podem ser vistos aqui.
O cenário de mercado fica em suspense para o começo da semana, com investidores aguardando próximos movimentos.
Como de costume, a estratégia de Trump é apelar à Suprema Corte dos EUA até o dia 14 de outubro para tentar reverter a decisão, o que pode mover o equilíbrio de riscos caso a revisão seja favorável. Vale lembrar que três dos nove ministros da Corte foram indicados por Trump, e seis deles por presidentes republicanos, o que gera especulações sobre viés.
Geralmente, esses juízes costumam ser críticos quando políticas passam por bypass do Congresso, sobretudo quando há riscos à independência do Fed. De qualquer forma, teremos de esperar o desfecho.
Por ora, as tarifas recíprocas continuam válidas até o prazo de outubro; após isso, ficam suspensas até a decisão final da Suprema Corte.
Importante lembrar: as tarifas em disputa não envolvem as aplicadas sobre aço e alumínio, que permanecem em vigor.
Caso a Suprema Corte venha a confirmar a ilegalidade das tarifas, abre-se uma série de questões: como ficam as bilhões de dólares recolhidos recentemente, e quais impactos sobre acordos comerciais com China, União Europeia, Reino Unido, Japão e Coreia do Sul?
Por outro lado, se a Suprema Corte favorecer Trump, o impacto nos mercados pode sinalizar um cenário de maior flexibilidade para políticas comerciais sem necessidade de aprovação do Congresso.
Resumo: o embate jurídico tem potencial de redesenhar o equilíbrio entre política externa, acordos bilaterais e a autonomia de órgãos reguladores, com consequências claras para negociações em curso.