- O euro avança frente ao franco suíço, encerrando uma sequência de quedas de três dias.
- As atas da reunião de política monetária de julho do BCE destacaram incerteza excepcional e uma postura cuidadosa, dependente de dados.
- A Suíça registrou desaceleração no segundo trimestre, com crescimento trimestral de 0,1% e alta anual de 1,2%.
O euro (EUR) está ganhando terreno frente ao franco suíço (CHF) nesta quinta-feira, interrompendo a sequência de quedas que levou o par a seu menor nível desde 4 de agosto na quarta-feira. No começo da sessão americana, EUR/CHF operava próximo de 0,9356, em clara recuperação.
Essa reversão acontece no contexto das Contas da Reunião de Política Monetária de julho do BCE, que destacaram o delicado equilíbrio do Conselho. Os integrantes concordaram que as taxas atuais estão em território “neutro”, sem estimular nem restringir a atividade, mas o debate refletiu o cenário frágil da zona do euro. Alguns argumentaram que o impulso fiscal recente pode ter elevado a taxa neutra, sugerindo que, sem mais ajustes, a política poderia ficar ligeiramente restritiva. Outros enfatizaram um ambiente “excepcionalmente incerto”, citando riscos tanto de alta quanto de baixa para o crescimento e a inflação.
Apesar de uma pequena parcela defender um corte em julho, defendendo que os riscos de inflação estavam recuando, a maioria preferiu aguardar mais dados e clareza, especialmente sobre negociações globais e seus possíveis impactos nos preços. As Contas sinalizaram ainda que a comunicação do BCE deve permanecer cuidadosa, neutra e deliberadamente pouco informativa para evitar sinalizar compromissos prematuros, mantendo a abordagem de dados por reunião.
Mais cedo, os indicadores de sentimento da Zona do Euro vieram mais fracos, alimentando preocupações sobre o crescimento. O Indicador de Sentimento Econômico caiu para 95,2 em agosto, de 95,7 em julho, abaixo das expectativas de 96,0. O Índice de Clima Empresarial recuou levemente para -0,72, enquanto a Confiança do Consumidor permaneceu estável em -15,5. Em conjunto, os números sugerem que empresas e famílias continuam cautelosas, com demanda doméstica fraca.
No lado suíço, os dados do segundo trimestre indicam arrefecimento da atividade. O PIB avançou apenas 0,1% na comparação trimestral, conforme expectativa, mas abaixo do ritmo de 0,4% do triênio anterior. Em termos anuais, a economia cresceu 1,2% no 2º trimestre, desacelerando frente a 1,8% do 1º trimestre e ficando aquém das previsões de 1,4%. Esses resultados apontam para uma tendência de arrefecimento na atividade suíça, reforçando a possibilidade de cautela por parte do SNB, com vigilância sobre a inflação contida e os riscos de valorização excessiva do franco.