A zona do euro precisa colocar a casa em ordem

Ontem, ficou claro que é improvável imaginar uma valorização abrupta do dólar. Ainda assim, pode ocorrer uma correção no par EUR/USD, com o impulso vindo do lado europeu. Não pretendo pintar um cenário sombrio, mas um ponto que já vem sendo discutido pode ganhar força e pressionar o euro: a sustentabilidade da dívida na zona do euro.

O foco ainda está no dólar

O atual desafio fiscal em alguns países, como a necessidade de consolidar as contas públicas para conter o endividamento e os juros, mostra como o euro pode recuar caso a dívida da região saia do controle. A relação dívida/PIB tende a subir nos próximos anos, impactando também gastos com defesa. Não cabe atribuir tudo aos EUA; é preciso que cada país, em especial França e Itália, trate de suas reformas e tome medidas para conter o desequilíbrio.

Por mais preocupantes que pareçam as projeções de dívida nos EUA, países da zona do euro enfrentam vulnerabilidades semelhantes. Se as reformas não avançarem, pode haver pressões para que a UE assuma parte da dívida e para que o BCE intervenha de maneira mais ativa, por meio da compra de títulos ou de cortes temporários nas taxas, o que seria prejudicial à moeda comum. Isso também afeta a confiança na zona do euro, que já enfrentou crises de dívida no passado.

Não estou sugerindo que haja uma crise iminente nem que o euro deva enfraquecer universal. O que importa é reconhecer que a zona do euro tem seus próprios problemas a resolver. Colocar as contas em ordem, mesmo com medidas difíceis, é essencial para manter a estabilidade econômica e monetária no longo prazo.