França é rebaixada para A+ pela S&P com perspectiva estável

S&P rebaixa França para A+ com perspectiva estável, citando turbulência política como fator de risco para as contas públicas.

  • O órgão de classificação reduziu a nota do país após uma semana conturbada, na qual o primeiro-ministro Sebastien Lecornu enfrentou duas votações de confiança no parlamento. Para assegurar apoio suficiente, o governo cedeu na reforma da Previdência de 2023, abrindo espaço para flexibilizar políticas.
  • A incerteza em torno das políticas públicas pode frear o crescimento, ao diminuir investimentos empresariais e o consumo das famílias.
  • O ministro da Fazenda, Roland Lescure, destacou a necessidade de o governo e o parlamento aprovarem o orçamento de 2026 ainda este ano, passo essencial para mostrar como a França pretende gerir a dívida, prevista para subir de 112% do PIB em 2024 para 121% em 2028. A aprovação orçamentária é vista como medida para tranquilizar os mercados quanto ao caminho para o teto de déficit de 3% do PIB até 2029.

A S&P revisou a perspectiva para estável, afirmando que o rebaixamento equilibra o risco de maior dívida com a ausência de um acordo político sólido sobre cortes, mas adverte sobre a incerteza fiscal até as eleições de 2027.

O rebaixamento da França, segunda maior economia da zona do euro, tende a pressionar o euro ao abalar a confiança dos investidores na coesão política e fiscal do bloco. Embora a reação imediata do mercado possa ser contida, o anúncio ressalta o peso da dívida em relação ao PIB e o gridlock político que dificulta o controle do déficit. Esse prêmio de risco — custo de empréstimos mais alto exigido por investidores diante de instabilidade — pode ampliar o spread entre títulos franceses e alemães, influenciando o humor do euro.

Em resumo, a instabilidade prolongada e a dificuldade de gerenciar a dívida em um membro central da Eurozona reduzem a credibilidade econômica da união monetária, tornando o euro menos atraente frente a outras moedas de referência.