O par EUR/JPY devolveu ganhos recentes e opera sob pressão na região de 186,60. O movimento ocorre em um cenário de forças mistas, entre a política monetária europeia e o aumento do risco de intervenção direta no mercado de câmbio pelo Japão.
O Banco Central Europeu (BCE) manteve suas principais taxas de juros inalteradas na reunião de abril, conforme o esperado pelo mercado. A taxa de refinanciamento permanece em 2,15%, a de facilidade de empréstimo marginal em 2,4% e a de depósito em 2%. Embora os dados recentes estejam alinhados às projeções, a autoridade monetária alertou que os riscos de alta para a inflação e de baixa para o crescimento se intensificaram, impulsionados pelos preços de energia e tensões geopolíticas no Oriente Médio.
A presidente do BCE, Christine Lagarde, reforçou a abordagem data-dependent, decidindo reunião a reunião, sem compromissos prévios com uma trajetória específica para os juros. Enquanto as expectativas de inflação de longo prazo seguem ancoradas, as de curto prazo apresentaram elevação significativa.
Japão endurece o tom
Do lado japonês, o iene (JPY) recebeu suporte após declarações firmes da Ministra das Finanças, Satsuki Katayama. Ela sinalizou que o momento para uma “ação decisiva” no mercado de câmbio está se aproximando, especialmente após o USD/JPY ultrapassar o nível de 160,00. O movimento reacendeu especulações sobre uma intervenção iminente das autoridades para conter a desvalorização da moeda local.
Contudo, a alta nos preços do petróleo limita o potencial de valorização do JPY, dado que o Japão é um grande importador de energia. No cenário macro da Zona Euro, o PIB da Alemanha cresceu 0,3% no primeiro trimestre, superando expectativas, mas a taxa de desemprego subiu para 6,4%, evidenciando a fragilidade do mercado de trabalho enquanto o HICP acelerou para 3% ao ano em abril.
O foco dos traders agora se volta para a coletiva de imprensa de Lagarde, em busca de sinalizações sobre os próximos passos da política monetária europeia.



