Os economistas do Standard Chartered, Dan Pan e Steve Englander, avaliaram o impacto da decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos sobre a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) na arrecadação tarifária do país. Eles observaram que, embora a receita tenha recuado, ela permanece significativamente acima dos níveis registrados antes do chamado “Liberation Day”.
Arrecadação resiste, mas enfrenta riscos no horizonte
“A receita tarifária dos EUA caiu após a Suprema Corte invalidar as tarifas IEEPA, mas não de forma tão drástica quanto alguns temiam. Nos primeiros dois meses após a decisão, prevemos que a arrecadação atinja USD 25 bilhões em março e abril, respectivamente”, afirmam os analistas.
A receita atual ainda é cerca de 3,4 vezes superior aos níveis pré-Liberation Day, embora esteja abaixo do ritmo do final de 2025, quando as tarifas estavam em pleno vigor e a arrecadação superava em 4 vezes os níveis de 2024.
De acordo com o relatório, no run-rate atual, o impacto negativo da decisão sobre a IEEPA pode totalizar USD 60 bilhões anualizados. A queda é relevante, mas consideravelmente menor do que o esperado pelo mercado, dado que as tarifas IEEPA representavam mais da metade da receita tarifária total dos EUA.
“Se a arrecadação se mantiver neste patamar e o processo de reembolso for prolongado, o dano fiscal poderá ser contido; no entanto, há espaço para novas quedas nos próximos meses”, alerta o banco.
O suporte temporário veio da tarifa linear de 10% da Seção 122, imposta após a decisão judicial para compensar o déficit. Contudo, o Standard Chartered ressalta que não existe um substituto perfeito para essa medida assim que o prazo de 150 dias expirar, em 24 de julho de 2026.
