Geoff Yu, estrategista do BNY, observa que, apesar da forte recuperação dos índices acionários globais, os níveis de caixa institucional permanecem abaixo dos patamares registrados antes do conflito em todas as regiões. Os Mercados Emergentes (EM) das Américas apresentam a maior taxa de recuperação, impulsionados pela exposição a commodities, enquanto o EM APAC (Ásia-Pacífico) apresenta o pior desempenho devido ao posicionamento anteriormente concentrado em ações da Coreia e de Taiwan.
Caixa institucional vs. Recuperação de preços
“Os níveis do mercado de ações podem ter recuperado com força globalmente, mas há uma diferença significativa entre os ganhos de preço e o nível de caixa detido por investidores institucionais”, afirma Yu. Segundo ele, nenhuma região recuperou totalmente suas posições em relação ao período pré-conflito. Isso reforça a tese de que o varejo continua impulsionando o fluxo, enquanto os institucionais aguardam maior clareza sobre um cessar-fogo duradouro.
Em termos de “taxa de recuperação”, o EM Americas é o que mais se aproxima das máximas pré-conflito, embora o movimento inicial tenha sido limitado. Esse comportamento assemelha-se ao observado nos mercados de FX e renda fixa da região.
O descolamento do EM APAC
O EM APAC, liderado por ativos coreanos e taiwaneses, é o ponto fora da curva. Como esses mercados apresentaram performance extrema antes do conflito, o risco de uma correção acentuada era elevado, exigindo agora um volume maior de fluxo e valorização de preços para retornar aos níveis anteriores.
Yu alerta que investidores institucionais podem estar fora do mercado mais por visões geopolíticas do que por resultados corporativos (earnings). No entanto, existe o risco real de que esses gestores fiquem tão abaixo de seus benchmarks que sejam forçados a entrar no mercado (“stopped in”).
Isso sinaliza que há uma liquidez significativa em espera (sidelined cash) que pode alimentar um novo rali de risco, embora a exigência para novas “boas notícias” sobre o conflito permaneça alta.

