Moedas da América Latina: O rali acabou? BNY alerta para riscos de posicionamento

Geoff Yu, estrategista do BNY, destaca que as divisas da América Latina (LatAm FX) têm sido o grande destaque entre os mercados emergentes. As posições compradas permaneceram resilientes mesmo durante períodos de conflito, sustentadas por taxas de juros nominais e reais altamente atrativas. No entanto, ele alerta que, caso o apetite ao risco se dissemine após um cessar-fogo, o fluxo de capital pode migrar para ativos descontados nas regiões APAC (Ásia-Pacífico) e EMEA (Europa, Oriente Médio e África).

Carry trade robusto, mas posicionamento vulnerável

“Nos mercados de câmbio, a recuperação do sentimento de risco ainda é tênue, mas as alocações em moedas emergentes estão começando a subir gradualmente. A distribuição de performance, porém, segue desigual”, afirma Yu.

No último trimestre, o dólar sofreu pressão de fluxos cross-border, impulsionada pela demanda por hedge que dominou o início do ano e ressurgiu recentemente. Por outro lado, a América Latina entregou um trimestre excepcional, consolidando-se como a região com maior volume de compras.

Segundo o analista, a região continua sendo a mais bem posicionada. Durante o conflito, nenhuma moeda sequer se aproximou de um território de subalocação (underheld). Contudo, esse sucesso traz desafios para o futuro imediato.

“Se o cessar-fogo se mantiver e o apetite ao risco aumentar, o espaço para a recuperação de alocações em outros ativos de risco significa que será difícil para as moedas latino-americanas ampliarem o posicionamento atual”, explica. Embora isso não signifique necessariamente uma deterioração imediata do carry trade ou vendas massivas, a atratividade relativa pode mudar.

Com o barateamento progressivo dos custos de financiamento em USD, a rotação de risco para APAC e EMEA pode acelerar materialmente à medida que as valuations nessas regiões se tornam mais convidativas em comparação ao mercado latino-americano já bastante esticado.