China: Crescimento revisado para baixo e inflação mais alta – ABN AMRO

Um economista sênior da ABN AMRO analisa o cenário macro da China após o conflito com o Irã, destacando dados mais fortes no início de 2026, porém previsões de PIB ligeiramente menores. O banco projeta um crescimento de 4,6% em 2026 e 4,5% em 2027, ao mesmo tempo em que eleva as projeções de inflação (CPI) para 2026 e 2027, visto que preços de energia mais altos pressionam a inflação e atrasam um novo ciclo de alívio monetário.

Dados mais fortes, mas ventos contrários impulsionados pelo conflito

A economia chinesa iniciou o ano com fôlego firme. A melhoria mais expressiva veio do investimento fixo, que voltou a crescer em janeiro/fevereiro, +1,8% ao ano, após recuo de -3,8% em 2025. Esse giro foi puxado pelo gasto em infraestrutura, apoiado pela emissão de bonds locais, além de investimentos mais rápidos em manufatura e uma recuperação gradual no segmento de imóveis.

Como o país é o maior importador de energia e recebe grande parte de seus suprimentos através do Estreito de Hormuz, o conflito iraniano tem seus impactos. Ainda acreditamos na existência de fatores de amortecimento como reservas de petróleo, acesso à energia russa e outras fontes que ajudam a mitigar impactos, porém os riscos de downside aumentaram.

Em termos de projeções, ajustamos ligeiramente o perfil de crescimento trimestral (mais forte no 1º trimestre, mais fraco no 2º) e, como resultado, revisamos para baixo a previsão anual de 2026, para 4,6% (de 4,7%), dentro da faixa-alvo do governo de 4,5% a 5%. A projeção para 2027 foi elevada para 4,5%, de 4,4%.

Apesar de uma oferta interna ainda acima do ideal, o aumento recente nos preços de energia deverá manter a inflação sob pressão nos próximos meses, ainda que o impacto seja contido. Antes do conflito, a inflação pelo IPC chegou a 1,3% ao ano em fevereiro, impulsionada pelos gastos com o Ano Novo Lunar, pelos preços de alimentos e por efeitos de base. A inflação core atingiu 1,8% ao ano, enquanto a deflação anual dos preços ao produtor continuou a ceder.