O recuo da demanda externa por Treasuries dos EUA em setembro ocorreu à medida que investidores estrangeiros reduziram suas participações pela primeira vez em seis meses, conforme dados recém-divulgados do Tesouro.
O atraso na divulgação foi causado pelo shutdown de 43 dias do governo federal, e o relatório de outubro foi remarcado para 18 de dezembro.
Em termos gerais, as participações estrangeiras em Treasuries caíram para US$ 9,249 trilhões em setembro, frente a agosto, mas permanecem 5,5% acima do nível de um ano antes. Entretanto, a leitura agregada ocultou diferenças entre os grandes detentores.
- Japão, o maior credor externo dos EUA, continuou aumentando suas compras, elevando as participações para US$ 1,189 trilhão — o maior nível desde agosto de 2022 — marcando o nono mês consecutivo de acumulação.
- China, por outro lado, seguiu reduzindo gradualmente, com participações caindo para US$ 700,5 bilhões. Analistas atribuem a queda à diversificação estratégica para fora do dólar e à necessidade de apoiar o yuan diante de fluxos de exportação mais fracos e de uma economia doméstica mais lenta. A China continua sendo a terceira maior detentora de Treasuries, atrás do Reino Unido.
- Reino Unido também reduziu sua exposição, levando as participações para US$ 865 bilhões, ante pouco mais de US$ 904 bilhões em agosto.
Em termos de transações, as compras externas de Treasuries recuaram fortemente para US$ 25,5 bilhões, menos da metade do total de agosto e bem abaixo do influxo de US$ 147 bilhões em maio, o maior desde 2022.
No entanto, a procura estrangeira por ativos de risco dos EUA permaneceu firme em outras frentes: investidores internacionais adquiriram US$ 132,9 bilhões em ações norte-americanas, um retorno brusco após as saídas de julho.
Apesar da demanda mais branda por Treasuries, os EUA registraram entradas líquidas de capital de US$ 190,1 bilhões, modestamente acima de agosto, reforçando a demanda externa contínua por ativos norte-americanos.