USD: Mudança do petrodólar e comércio de chips — Commerzbank

Analista da Commerzbank, Volkmar Baur, sustenta que o temor de um fim do petrodólar não implica automaticamente no declínio do dólar como moeda de reserva. Ele aponta que a participação do Golfo nas exportações globais vem caindo, os volumes de petróleo se mantém estáveis e o peso crescente do comércio de semicondutores redefine o fluxo de receitas internacionais, com as exportações de chips faturadas em dólares e as reservas do Tesouro cada vez mais influentes para o cenário global.

Da energia do Golfo aos chips de Taiwan

“O cerne do acordo do petrodólar foi simples: o petróleo é indispensável para a economia mundial. Ao firmar esse acordo com a Arábia Saudita, então maior produtora, os EUA estabeleceram um padrão global. Uma moeda precisa cumprir três funções: servir como meio de troca, funcionar como reserva de valor e atuar como unidade de conta.”

Ao manter o petróleo negociado globalmente em dólares, esses três atributos ficaram consolidados para o dólar no cenário internacional. Globalmente, todos precisavam comprar petróleo, usar o dólar como meio de troca, saber o preço em dólares e os países do Golfo guardavam esse valor em títulos do Tesouro dos EUA.

“Então, o fim do petrodólar significaria o fim do dólar como moeda de reserva mundial? Não vejo dessa forma.”

Em termos de participação, a região do Golfo já perdeu relevância na balança global de petróleo: em 1980 respondia por cerca de 55% das exportações, e em 2024 esse percentual ficou abaixo de 35%, enquanto os EUA já haviam ultrapassado a Arábia Saudita como maior exportador em 2020.

No que diz respeito ao volume, as exportações globais de petróleo atingiram o pico em 2016 e ficaram estagnadas desde então. Em 2020 e 2021, quando a demanda por petróleo caiu por causa da pandemia, chips — ou circuitos integrados — passaram a ser exportados globalmente em dólares em maior escala do que o petróleo. A alta recente no preço do petróleo ajudou a inverter esse quadro em 2022 e 2023.

Para o dólar, passa a ser mais relevante que os chips sejam faturados em dólares do que o petróleo do Golfo seja transacionado nessa moeda.