USD/JPY: Convergência é adiada, mas intervenções do BoJ limitam ganhos, diz HSBC

Estrategistas do HSBC destacaram que o Iene japonês (JPY) tem sido a moeda com pior desempenho no G10 no acumulado do mês. O par USD/JPY vem operando em um intervalo excepcionalmente estreito, apesar do status do Japão como grande importador líquido de energia e sua exposição ao Golfo.

O banco argumenta que a cautela do Bank of Japan (BoJ) e os desafios fiscais domésticos podem atrasar o movimento de queda do USD/JPY. No entanto, os riscos de intervenção e os fluxos de entrada de portfólio devem limitar o upside. O cenário base do HSBC ainda prevê um declínio do par até o final do ano.

Cautela do BoJ e tensões fiscais vs. limitadores de alta

“O sentimento bearish em relação ao JPY é consistente com a exposição macro do Japão. O país é o maior importador líquido de energia entre as economias avançadas (em proporção ao PIB) e possui laços econômicos profundos com a região do Golfo”, afirmam os analistas.

Apesar desses ventos contrários, o USD/JPY tem mostrado baixa volatilidade recentemente. Segundo o HSBC, a postura dovish do BoJ e questões fiscais — como o possível fim dos subsídios aos combustíveis em meados de maio e a proposta de um orçamento suplementar — são fatores que retardam a convergência do par para níveis sugeridos pelos diferenciais de juros.

Por outro lado, alguns fatores atuam como teto para a moeda americana:

  • Fluxos de portfólio: Compras estrangeiras de ações e títulos japoneses em abril, somadas à venda de títulos estrangeiros por investidores locais.
  • Intervenção verbal: Alertas firmes do Ministério das Finanças do Japão ajudam a conter o ímpeto comprador no USD/JPY.

O HSBC mantém a projeção de queda para o USD/JPY até o encerramento de 2026. Entre os riscos de alta no curto prazo, o banco cita um Federal Reserve (Fed) mais hawkish, escaladas no conflito do Oriente Médio que elevem os preços do petróleo e novos desequilíbrios fiscais no Japão.