Estratégias OCBC apontam que a alta recente nos preços do petróleo agrava a relação comercial do Japão, eleva as incertezas fiscais e aumenta a necessidade de cautela na condução da política econômica, mantendo o iene sob pressão. A equipe espera uma alta do BoJ em abril, mantendo porém a projeção para o USD/JPY de 155 até o fim de 2026, e alerta que a intervenção cambial pode ficar mais provável perto de 160, diante de riscos geopolíticos persistentes e dependência energética.
A alta do petróleo mantém os riscos de queda para o iene
A elevação acentuada dos preços do petróleo adiciona pressão adicional ao iene, atingindo o Japão por meio de termos de comércio menos favoráveis, preocupações fiscais crescentes e o dilema de um BoJ historicamente cauteloso que pode pausar para reavaliar. A grande dependência do Japão de importações de energia do Oriente Médio torna a moeda especialmente sensível a choques geopolíticos.
Nossa hipótese base continua sendo um aumento do BoJ em abril, após a decisão de manter as taxas em março, mas o conflito no Oriente Médio gera incerteza sobre como os formuladores de política equilibrarão o choque inflacionário derivado do petróleo com o sentimento de mercado ainda frágil.
Se os preços do petróleo recuarem — caso as tensões geopolíticas diminuam — isso proporcionaria algum alívio limitado para o iene. Mesmo assim, seguimos cautelosos e mantemos a projeção de USD/JPY para o fim de 2026 em 155.
As nomeações reflacionárias do BoJ, associadas a um tom mais agressivo em relação à inflação, levantam questões sobre a capacidade da instituição de se manter à frente, enquanto o mercado permanece atento a eventualidade de deslizes fiscais por aumentos nos gastos com defesa. Além disso, há relatos de que o Ministério da Fazenda tem estudado intervenções com futuros de petróleo, mantendo o mercado vigilante.
Nesse cenário, vemos a intervenção cambial mais provável próximo de USD/JPY 160 do que ações diretas nos futuros de petróleo.


