USD: Foco nas revisões da folha de pagamento – ING

O recente giro da tendência de baixa do dólar foi impulsionado pelo fraco mercado de trabalho dos EUA, com os dados de NFP de julho e agosto levando o Fed a reavaliar a ideia de um mercado de trabalho sólido, e o banco central parece pronto para iniciar novamente seu ciclo de afrouxamento na próxima semana, conforme aponta o analista de câmbio da ING, Chris Turner.

Suporte possível para o DXY em 97,10/97,20

Os dados de hoje dos EUA podem esclarecer essa reavaliação do mercado de empregos, com a divulgação das revisões de referência anuais no período relativo a março. Em um discurso recente, Christopher Waller do Fed afirmou que a revisão para baixo pode chegar a até 60 mil empregos por mês. Por isso, o consenso para a revisão de hoje — prevista para as 16h CET — fica em torno de 700 mil para o patamar anual. No mesmo período do ano passado, a revisão inicial foi de -818 mil; agora, é preciso ver números maiores para acionar nova perna de queda nas taxas de juros de curto prazo dos EUA e no dólar.

Hoje também sai a Pesquisa NFIB de Otimismo das Pequenas Empresas para agosto, com expectativa de ganhos após o recuo de abril. O componente de emprego, e não de preços, deve receber maior atenção.

O dólar começou a semana mais fraco do que o previsto. A nossa visão é de que as taxas de juros de curto prazo podem se manter apertadas até o prazo de declaração de imposto corporativo na próxima segunda-feira, o que poderia trazer uma recuperação muito breve do dólar. O DXY pode encontrar suporte em 97,10/97,20, em vez de testar diretamente a mínima do ano em 96,35. Enquanto isso, as fortíssimas altas do ouro e da prata indicam que os investidores continuam buscando proteções contra a inflação — algo em que o dólar não se destaca.