Volatilidade cambial tem avançado de forma contida desde o início do mês, mas permanece abaixo dos patamares de primavera e até do começo de agosto. O aumento do risco geopolítico no Oriente Médio e tensões na Europa não provocaram uma reação forte no câmbio. O Fed continua visto como o principal motor de volatilidade cambial nos próximos meses. Hoje saem os dados de CPI de agosto, e a leitura do core CPI projetada é de 0,3% mensal, conforme analista de câmbio da ING, Francesco Pesole.
Riscos para o dólar tendem a ficar menores
Ontem, o PPI americano veio bem contido, caindo -0,1% em relação ao mês tanto para o índice geral quanto para o núcleo. As revisões para baixo de julho também reduziram o ganho mensal para 0,7% em vez dos 0,9% iniciais. A fraqueza em ‘serviços comerciais’ aponta para margens de lucro corporativo mais estreitas, sugerindo que empresas absorvem custos de insumos ligados a tarifas, em vez de repassar aos consumidores.
Isso pode refletir cautela com a demanda final ou uma relutância estratégica em aumentar preços para evitar reações públicas ou políticas. Em termos práticos, a leitura de CPI que vem aí não deve exceder 0,3% MoM, o que, na visão da ING, ajuda a manter a expectativa de três cortes de 25 pontos-base do Fed até o fim do ano. A menos que haja uma surpresa inflacionária, a ideia de uma jogada de 50bp na próxima semana permanece contida.
Ainda, os riscos para o dólar parecem menores hoje, pois dados de CPI mais brandos podem favorecer uma nova entrada de posições vendidas em USD, antecipando a divulgação.
