USD: O domínio fiscal está chegando?

Após um hiato de nove meses, o Federal Reserve sinaliza retomar os cortes de juros ainda nesta semana. O tamanho desses cortes é a pergunta-chave, já que o governo busca alívios rápidos, com a meta de chegar a uma taxa de cerca de 1% (contra 4,25-4,50% atualmente). Em meio a temores de descompasso entre inflação e crescimento provocados pelas tarifas, acelerar tanto o afrouxamento poderia prejudicar o dólar, segundo Thu Lan Nguyen, chefe de FX e Pesquisa de Commodities da Commerzbank.

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As motivações, segundo especialistas, são diretas: manter o custo da dívida sob controle poderia gerar uma economia de aproximadamente US$ 1 trilhão se as taxas caírem aos patamares desejados. Em uma leitura, isso configuraria o que chamamos de ‘domínio fiscal’: a política monetária passa a priorizar a acessibilidade da dívida pública em vez de apenas buscar estabilidade de preços e pleno emprego. Esse cenário pode fragilizar a credibilidade do banco central e, no pior caso, elevar expectativas inflacionárias e desvalorizar a moeda.

Entre os nomes ligados a esse debate — incluindo o secretário do Tesouro, Scott Bessent, que lidera a sondagem para um novo presidente do Fed, e Stephen Miran, possível substituto de Adriana Kugler no FOMC — já expressaram críticas a instrumentos-chave do arcabouço atual, como as compras de ativos (QE). Miran alertou para a falta de supervisão política nesse tipo de medida; Bessent, por sua vez, questiona a eficácia do QE e aponta efeitos colaterais não intencionais.

As ideias de Bessent podem ter consequências relevantes. Ele defende que o QE deva ser reservado a situações de crise e interrompido ao fim dessas crises. Isso poderia sinalizar uma redução mais rápida do balanço do Fed. O banco já encolheu esse balanço após a pandemia para conter a inflação, mas o ritmo desacelerou desde a primavera. A aceleração na redução, especialmente na carteira de títulos governamentais, reduziria a efetividade dos cortes de juros almejados pelo governo e, consequentemente, poderia favorecer o dólar.

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