A revisão das vagas de emprego nos EUA para o período de abril de 2024 a março de 2025 era aguardada, especialmente após o relatório de mercado de trabalho divulgado na última sexta-feira ter sido decepcionante. A cifra trouxe uma surpresa negativa: os dados do Bureau of Labor Statistics apontavam uma revisão de cerca de 680 mil empregos a mais criados no período, porém a revisão real foi de 911 mil, equivalentes a -0,6%. A revisão média dos últimos 10 anos fica em 0,2%, tornando esse ajuste incomumente alto.
Inflação nos EUA tem subido moderadamente
Mas, no fim das contas, o dólar não se deixou impressionar pelos números. Em última análise, os dados olham para o passado. O mercado, porém, costuma projetar o futuro. Depois do relatório fraco de emprego da semana passada para agosto, e especialmente após o já decepcionante mês anterior, as expectativas sobre a taxa de juros nos EUA já haviam sido significativamente ajustadas.
Enquanto isso, o mercado até identifica a possibilidade de um movimento de 50 pontos-base pela autoridade monetária. A revisão de dados passados de ontem pode tornar esse movimento mais provável. Contudo, não houve novas informações que justificassem uma revisão maciça das expectativas nem um movimento expressivo do dólar. É água passada.
Agora, o que importa são os sinais nos preços. Os primeiros reflexos das tarifas já começam a aparecer nos preços; hoje, o mercado vai acompanhar de perto os preços ao produtor para verificar se as empresas já estão repassando custos. Ainda mais importante são os preços ao consumidor, que serão divulgados amanhã. Nos últimos meses, a inflação dos EUA tem subido moderadamente, ficando em 2,9% (taxa geral) e 3,1% (núcleo) na comparação anual. A tendência deve continuar, sem indicar pressão de preços suficiente para impedir que a Fed reduza as taxas na próxima semana.