USD: O impacto da demissão de Cook é limitado, segundo o ING

A demissão de Cook pelo presidente dos EUA e a percepção de maior politização do Fed podem ser vistos como um negativo para o dólar. No entanto, a resposta do mercado cambial tem sido discreta e pode levar tempo para se materializar, apoiada por dois fatores: Cook já recorre da decisão, o que tende a levar o caso aos tribunais, e a saída dela não deve alterar significativamente as próximas reuniões. Com Powell ainda à frente do Fed, o cenário é de política monetária orientada por dados, e o dissenso dovish continua contido, o que reduz a probabilidade de cortes mais rápidos ou mais profundos, segundo analistas da ING.

USD deve se estabilizar após dados fortes de terça-feira

As consequências reais da politização do FOMC devem aparecer mais adiante, possivelmente apenas após a gestão de Powell – quanto mais próximo de maio de 2026, desde que Trump não o substitua antes. Nesse momento, uma nova liderança com viés mais dovish precisaria do apoio do comitê para avançar com cortes, mas isso parece estar além do que o mercado precifica hoje. Além disso, o espaço de flexibilização da nova presidência é limitado se Powell reduzir as taxas em cerca de 100 pontos-base, para próximo de 3,5%, conforme as expectativas do mercado. O efeito mais visível até agora tem sido o desempenho inferior dos títulos do Tesouro de 30 anos.

É razoável que a cobertura jornalística sobre a demissão de Cook perca força com o tempo, como costuma ocorrer em episódios semelhantes desde o início da gestão de Donald Trump. A imprevisibilidade em várias frentes incluindo as relações com o Fed tem deixado os mercados cada vez mais relutantes em se afastar da narrativa baseada em dados e na comunicação oficial. Notas de hoje indicam que a Casa Branca busca maior influência sobre as escolhas dos presidentes regionais do Fed, o que teve impacto limitado até o momento.

Espera-se que o dólar se estabilize após dados de ontem mostrarem desempenho sólido em confiança do consumidor e encomendas de bens duráveis, em meio a um calendário mais tranquilo. O foco desta semana se volta para as revisões do PIB e para o núcleo do PCE de julho, com divulgação esperada para quinta e sexta-feira.

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