USD: Choque do petróleo, riscos de inflação e a trajetória do Fed

Resumo Os mercados cambiais devem redirecionar o foco para os impactos do choque do petróleo na inflação dos EUA e no dólar. Dados de março prometem oferecer primeiras pistas, com custos de transporte alimentando pressões de preço. O Fed, sob gestão, enfrentará decisões cruciais nos meses, modelando a trajetória do USD.

Inflação impulsionada pelo petróleo e o dólar

Prevê-se que os mercados de câmbio deem especial atenção aos efeitos dos choques de preço do petróleo sobre a inflação dos EUA e a cotação do dólar. Dados de março devem trazer primeiras evidências de subida no índice de inflação, com o efeito em itens correlatos decorrentes do combustível.

Conforme a Bloomberg, a expectativa é de alta mensal de 0,9%, elevando a taxa anual para 3,4% — o maior patamar em dois anos. O núcleo da inflação deve registrar aumento menor, estimado em 0,3% em relação ao mês anterior.

Nos meses seguintes, o foco pode se deslocar para os impactos indiretos, como custo de frete. Embora haja poucos veículos movidos a diesel, os caminhões utilizam diesel e os preços aumentaram significativamente, 32% no último mês.

Quase todas as empresas de logística já reajustaram tarifas, com o fim de março registrando acréscimos de mais de 10% em relação ao fim de fevereiro. Como todos os bens precisam ser transportados, os custos de transporte acabam impactando os preços ao consumidor.

Para o Federal Reserve, isso pode se tornar um fator decisivo nos próximos meses. A gestão de Warsh, mesmo com o objetivo de reduzir juros, deverá influenciar a direção do USD.