O Índice do Dólar (USD) avança marginalmente contra seus pares nesta segunda-feira, após uma queda acentuada na sexta-feira. No momento, o Índice do Dólar (DXY), que mede o valor do Dólar contra seis moedas principais, negocia em leve alta, próximo a 99,70.
Os mercados financeiros duvidam da recuperação do Dólar Americano, pois os traders já precificaram a possibilidade de uma elevação da taxa de juros pelo Federal Reserve (Fed) na reunião de política de setembro, após a divulgação de dados fracos do Nonfarm Payrolls (NFP) dos Estados Unidos (EUA) para julho na sexta-feira.
A precificação do Fed ganha força, com a ING dobrando sua aposta na baixa do Dólar.
Estrategistas da ING reiteram que sua antiga previsão de que não haveria mais altas de juros pelo Fed este ano seria testada até o FOMC de 16 de setembro. Eles observam que, no início de agosto, essa visão enfrentaria “cinco grandes testes antes do FOMC de 16 de setembro: dois relatórios de empregos, dois relatórios do CPI e Jackson Hole”, e alertam que, se esses eventos não tivessem desencadeado uma mudança dovish nas expectativas do mercado, “a precificação de uma alta em setembro acima de 50% poderia ter aumentado materialmente o risco de uma alta, mesmo que apenas para evitar outra venda de títulos no dia da reunião”.
O primeiro desses testes “chegou na sexta-feira e foi claramente dovish e negativo para o Dólar”. A ING destaca, citando James Knightley, que “o número de -20k payrolls não foi a única preocupação”, com “mais de 100k de revisões para baixo”, deixando “o crescimento médio de payroll em apenas 20k nos últimos três meses, com saúde e assistência social ainda impulsionando a maior parte do crescimento”.
Nesse cenário, a ING afirma que “nossa previsão dovish para o Fed está se fortalecendo, e com ela nossa tendência de baixa para o dólar”. Eles apontam que “apesar da reprecificação de sexta-feira, 11 pb ainda estão precificados para setembro, 28 pb para dezembro e 40 pb para abril”, argumentando que “ainda há espaço de sobra para que a reprecificação dovish prejudique o dólar se estivermos certos sobre o Fed”.
Enquanto isso, os investidores voltam suas atenções para os dados do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) dos EUA para julho, que serão divulgados na quarta-feira.
Em relação aos dados do CPI dos EUA, estrategistas da ING esperam que os próximos dados de inflação dos EUA forneçam outro sinal dovish para o Fed, embora de forma mais moderada do que o fraco relatório de payroll da semana passada. Eles escrevem que “esperam que o segundo teste, a divulgação do CPI de julho na quarta-feira, envie uma mensagem semelhante, embora menos dramática”, e preveem “CPI headline em 0,1% mês a mês versus 0,2% de consenso, e core CPI em 0,2%, em linha com o consenso”. Em sua opinião, tal resultado apoiaria uma maior reprecificação dovish das expectativas do Fed e permaneceria consistente com sua postura de baixa para o Dólar.
Análise Técnica do Índice do Dólar Americano
O Dollar Index Spot negocia em torno de 99,70, mantendo uma tendência de baixa de curto prazo, pois o preço se mantém abaixo da Média Móvel Exponencial (EMA) de 20 dias em 100,35, mantendo a recente queda intacta e sugerindo que os ralis provavelmente encontrarão oferta perto dessa barreira dinâmica.
O Índice de Força Relativa (RSI) de 14 dias paira perto de 37, indicando momentum fraco, mas ainda não em sobrevenda, o que sugere que a pressão de baixa persiste, deixando espaço para mais perdas antes que os sinais de exaustão surjam.
Na ponta superior, a resistência inicial é definida pela EMA de 20 dias em 100,35, e um fechamento diário acima desse nível seria necessário para aliviar o tom de baixa imediato e abrir caminho para uma recuperação mais sustentada. Olhando para baixo, o Índice do Dólar pode testemunhar uma aceleração na pressão de baixa se cair abaixo da mínima de 15 de junho em 99,38. Abaixo de 99,38, o nível de 99,00 seria o suporte chave.


