RBA aponta riscos offshore e alerta contra afrouxar crédito imobiliário com preços em recorde

Resumo executivo

O Relatório de Estabilidade Financeira divulgado em outubro de 2025 pelo Banco Central da Austrália aponta que os maiores riscos ao sistema financeiro global vêm do exterior, incluindo preços de ativos elevados, elevação da dívida soberana e maior alavancagem nos mercados. A fraqueza contínua no setor imobiliário da China também é destacada como ameaça persistente.

Riscos externos

Externamente, o documento sinaliza a possibilidade de recuo nos preços de ativos e estresse nos mercados de dívida soberana, mantendo-se como fatores de vulnerabilidade para as condições globais.

Riscos domésticos e posição do sistema

No âmbito doméstico, o sistema financeiro da Austrália aparece resiliente, com bancos lucrativos, bem capitalizados, e com reservas de liquidez significativas. A liquidez de famílias tem melhorado com a redução das taxas de juros e da inflação.

A queda dos juros ajudou o fluxo de caixa, embora o recuo tenha levado os preços das moradias a patamares recordes, elevando preocupações com bolhas no mercado imobiliário.

Crédito imobiliário e padrões de empréstimo

O relatório recomenda que os bancos mantenham padrões de crédito robustos, sem afrouxar limites macroprudenciais, especialmente para empréstimos de alta relação entre dívida e renda e para financiamentos a investidores. Medidas adicionais de resiliência a riscos cibernéticos e geopolíticos também são incentivadas.

Política macroprudencial e câmbio

As políticas macroprudenciais devem permanecer estáveis para conter riscos no mercado imobiliário. Além disso, fundos de previdência complementar (superannuation) podem precisar de gestão cuidadosa de hedge cambial.

Impactos setoriais

Insolvências corporativas tendem a se concentrar nos setores de construção, hospitalidade e varejo, com implicações para o cenário macroprudencial.

Convergência e conclusão

Em síntese, o sistema financeiro australiano está bem posicionado para enfrentar choques de mercado e uma possível desaceleração global, desde que bancos mantenham capital, liquidez e padrões de crédito fortes.