- O ouro recua de recordes em torno de US$ 3.700, mas permanece acima de US$ 3.660.
- A cautela dos investidores diante da decisão do Fed sustenta o dólar.
- XAU/USD: uma queda sustentada abaixo de US$ 3.650 reacenderia as expectativas de baixa.
O ouro opera em queda nesta quarta-feira, pressionado pela força do dólar, conforme investidores reduzem posições na moeda antes da decisão do Fed. O metal precioso recuou acima de US$ 3.700, com os ursos contidos próximo de US$ 3.666 até o momento.
Espera-se que o Federal Reserve reduza as taxas em 25 pontos-base para a faixa de 4,0%-4,25%, mas o mercado teme que o tom mais dovish não corresponda às expectativas. Um resultado assim poderia interromper o rali de ativos de risco e acelerar a recuperação do dólar.
Dados de emprego dos EUA mais fracos fortaleceram a expectativa de cortes do Fed nos próximos meses. Os contratos futuros apontam cortes de 25 bps em cada reunião deste ano, com mais um no início de 2026, embora tal cenário seja improvável de ser confirmado pelo presidente da instituição.
Análise Técnica: Ouro em patamar de sobrecompra acentuado

O par XAU/USD subiu cerca de 2% nos últimos três dias e mais de 11% nas últimas quatro semanas. Indicadores técnicos indicam condições de sobrecompra, especialmente no gráfico diário, servindo como alerta para operadores.
A carta de correção ainda não está clara, mas uma confirmação abaixo da zona de suporte entre US$ 3.660 e US$ 3.650 poderia formar um padrão de estrela vespertina, sinal clássico de reversão de tendência.
Caso haja piora, o suporte em US$ 3.615, atingido em 11 de setembro, entraria em foco, seguido pela máxima de 3 de setembro e a mínima de 8 de setembro, por volta de US$ 3.580. Do lado de cima, a resistência imediata fica perto de US$ 3.700, antes da extensão de 161,8% do rali da última semana, próxima de US$ 3.740.
Perguntas frequentes sobre o ouro
Por que as pessoas investem em ouro?
O ouro tem um papel histórico como reserva de valor e meio de troca; hoje é amplamente visto como um ativo de proteção, servindo como reserva de valor em tempos turbulentos e como hedge contra inflação e desvalorizações cambiais, já que não depende de emissor específico.
Quem compra mais ouro?
Bancos centrais são os maiores detentores. Para apoiar moedas em momentos de turbulência, eles diversificam reservas e compram ouro para reforçar a solidez econômica. Em 2022, bancos centrais adicionaram 1.136 toneladas de ouro a suas reservas, segundo o World Gold Council; esse foi o maior acréscimo anual já registrado. Países emergentes como China, Índia e Turquia também vêm aumentando suas reservas de ouro.
Como o ouro se correlaciona com outros ativos?
O ouro tende a ter correlação inversa com o dólar e com os Treasuries, grandes fontes de reserva e proteção. Quando o dólar recua, o ouro tende a subir, oferecendo diversificação em tempos turbulentos. O ouro também tende a ter correlação inversa com ativos de risco; altas no mercado acionário costumam pesar sobre o ouro, enquanto quedas no risco tendem a impulsionar o metal.
Do que depende o preço do ouro?
O preço pode oscilar por muitos fatores. Instabilidade geopolítica ou temores de recessão profunda elevam o ouro devido ao seu status de refúgio. Por ser um ativo sem rendimento, tende a subir com juros mais baixos, enquanto juros mais altos costumam pressionar o metal. Em geral, o movimento está fortemente ligado ao comportamento do dólar, já que o ouro é precificado em USD. Dólar forte tende a manter o preço sob controle, enquanto dólar mais fraco tende a impulsioná-lo.