Pressões persistentes de preços no Reino Unido desafiam o BoE, Deutsche Bank

Contexto — Dados de inflação no Reino Unido mostraram-se alinhados às expectativas, com o CPI total em 3% e o núcleo firme puxando o núcleo. Custos de combustível, energia e insumos devem manter a inflação próxima de 3,5% ao ano, dificultando cortes da BoE em 2024 e aumentando o risco de altas.

Custos de energia acima do esperado desafiam a trajetória de desinflação

A inflação britânica veio basicamente como esperado, com o CPI headline em 3% e o núcleo um pouco acima do consenso. Por que o núcleo ficou mais forte?

O componente de serviços ficou pressionado por ganhos em aluguéis privados, preços de viagens e hospedagem, o que eleva a pressão sobre a inflação de serviços. A leitura sugere que o ponto de partida para o MPC permanece próximo do que foi sinalizado em março. A má notícia é que a inflação pode ter outro desvio indesejado.

Olhando adiante, a história de inflação do Reino Unido deve tomar outro caminho doloroso. Voltar à meta de 2% parece cada vez mais distante. Os preços de energia subiram quase 7% em março e devem subir de forma semelhante em abril.

As faturas de energia para julho devem subir perto de 30%. Os mercados já não esperam uma queda rápida nos preços de energia. E a transmissão para outras categorias do CPI não é mais negligenciável, com custos de fertilizantes em alta, fretes em alta e o risco de efeitos de segunda rodada não pode ser desprezado.

Para o que vem a seguir, com exceção do segundo trimestre de 2026, o CPI tende a voltar a 3% e chegar próximo de 3,5% ao ano ainda neste ano, encerrando qualquer conversa sobre cortes de juros em 2024.