O petróleo WTI negocia em torno de $101,10 na terça-feira, com queda de 1,26% no momento da redação, após registrar ganhos fortes no dia anterior em meio a tensões geopolíticas crescentes no Oriente Médio. O mercado de petróleo agora devolve parte desses ganhos, conforme preocupações com interrupções imediatas de oferta começam a diminuir.
O recuo ocorre enquanto a Marinha dos EUA intensifica esforços para restaurar o tráfego marítimo através do Estreito de Hormuz, um ponto de estrangulamento estratégico para o transporte global de petróleo. A confirmação da Maersk de que um navio transitou com sucesso o estreito sob escolta militar dos EUA ajuda a aliviar cenários de pior caso, embora analistas observem que isso permanece um evento isolado em vez de uma normalização completa dos fluxos de navegação.
Dito isso, o cenário geopolítico permanece altamente frágil. O Irã lançou recentemente ataques de drones e mísseis contra os Emirados Árabes Unidos (EAU), enquanto os Estados Unidos relataram a destruição de embarcações iranianas no estreito. O presidente dos EUA, Donald Trump, também escalou a retórica, alertando Teerã sobre consequências severas se alvejar embarcações protegidas por Washington.
No lado iraniano, o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, enfatizou que não há solução militar para a crise atual, defendendo o engajamento diplomático, notadamente com esforços de mediação envolvendo o Paquistão. Enquanto isso, autoridades iranianas comentam sobre o surgimento de uma “nova equação” no Estreito de Hormuz, acusando os EUA e seus aliados de minar o trânsito de energia.
Nesse ambiente, o mercado de petróleo está preso entre duas forças opostas. Por um lado, o alívio dos medos de interrupção imediata da oferta e, por outro, os riscos geopolíticos persistentemente altos que podem desencadear novos choques de preços. Essa tensão explica a volatilidade atual no WTI, que permanece altamente sensível a desenvolvimentos no terreno.


