Economistas do Societe Generale destacam que a demanda por petróleo permanece estruturalmente inelástica, mesmo diante de fortes altas de preço. Em curto prazo, a elasticidade de demanda estimada para o petróleo cru é -0,024, o que implica perdas de aproximadamente 1,2 milhão de barris por dia até o momento.
Preços elevados estão promovendo uma resposta gradual da demanda. Em mercados da Ásia, Japão, Coreia, Taiwan, China e Índia vêm reduzindo operações de refino, declarando força maior ou priorizando o uso doméstico de combustível. Do ponto de vista quantitativo, estimamos a elasticidade da demanda de petróleo cru no curto prazo em -0,024.
Impacto de preços próximos de US$150 por barril
Com o preço recente em alta, cerca de 47% desde o início do conflito e a demanda global em aproximadamente 104,8 milhões de barris por dia, projetamos uma contração de cerca de 1,2 milhão de barris diários. O gasóleo/diesel mostra a maior sensibilidade de volume, com elasticidade estimada de -0,027, sugerindo queda de cerca de 400 mil b/d. O combustível de aviação (jet fuel) e o nafta apresentam as elasticidades absolutas mais altas, em -0,045 e -0,042, respectivamente.
À medida que nos aproximamos de abril sem uma resolução para o conflito, pode ser que adotemos o Cenário B, que supõe uma interrupção mais prolongada. Se os preços subirem rumo a US$150 por barril nesse cenário, estimamos que até 2,7 milhões de barris por dia de demanda poderiam desaparecer, incluindo cerca de 900 mil b/d apenas do gasóleo/diesel.
Esses desdobramentos revelam uma verdade mais ampla: embora a demanda por petróleo historicamente responda lentamente a variações de preço, a magnitude e a velocidade dessa disrupção estão promovendo ajustes graduais em diversos setores—e a lista só aumenta com o tempo.