PBoC: Por que a curva de juros da China tende a um ‘steepening’ com a resiliência industrial?

A curva de juros do Yuan (CNY) apresentou um movimento de steepening na última semana, impulsionada pelo arrefecimento das tensões entre Estados Unidos e Irã e por dados macroeconômicos da China que superaram as expectativas no primeiro trimestre. Segundo Samuel Tse, economista do DBS Group Research, o PIB chinês cresceu 5% em termos anuais no 1T, ancorado pela demanda externa e pela recuperação industrial.

As projeções do DBS indicam que o PMI deve permanecer resiliente, em torno de 50,3 em abril, refletindo a melhora nos indicadores de alta frequência. A atividade industrial mantém o ritmo de aceleração, com o aumento nas taxas de utilização de fornos elétricos e a operação estável em grandes usinas siderúrgicas. Tse observa que o impacto do choque do petróleo ficou restrito aos setores de energia, sem contágio significativo para a indústria ampla até o momento.

No mercado de renda fixa, a demanda por títulos onshore segue robusta. O volume de negócios via Northbound Bond Connect atingiu o recorde de CNY 1,22 trilhão em março, com médias diárias históricas de CNY 55,6 bilhões. Além disso, dados da EPFR mostram fluxos de entrada de US$ 1,6 bilhão em fundos de bônus chineses na primeira semana de abril, confirmando o apetite estrangeiro.

Diante desse cenário de crescimento estável, mas desigual, a expectativa é de que o PBoC (Banco Popular da China) mantenha um viés acomodatício por meio de operações de liquidez, evitando, contudo, cortes agressivos nas taxas de juros. Esse pano de fundo reforça a tendência de inclinação da curva, com a ponta curta ancorada pela política monetária e a ponta longa refletindo a resiliência macro.