Ouro sob pressão: Perspectivas de política monetária mais rígida do Fed pesam

O ouro (XAU/USD) continua em queda na quinta-feira, chegando a uma mínima de cerca de um mês, com dinâmicas macro no curto prazo substituindo o apelo tradicional de refúgio, apesar das tensões geopolíticas elevadas decorrentes do conflito entre EUA e Israel com o Irã.

No momento da elaboração deste texto, o XAU/USD operava em torno de US$ 4.635, após tocar brevemente uma baixa próxima de US$ 4.502, mantendo-se na defensiva pela sétima sessão consecutiva.

O ouro permanece sob pressão depois que as tensões no Oriente Médio aumentaram, com o recente aumento do petróleo alimentando preocupações com a inflação, reforçando a narrativa global de juros mais altos por mais tempo e reduzindo a atratividade do metal que não gera rendimento. A postura de política monetária mais firme do Fed, anunciada na quarta-feira, intensificou o movimento de baixa.

Fed mantém as taxas e sinaliza riscos de inflação

O Fed manteve a taxa básica de juros entre 3,50% e 3,75%, conforme esperado, adotando uma abordagem dependente de dados para o futuro, e ressaltando riscos em ambos os lados do seu duplo mandato. No entanto, o dot plot atualizado aponta ainda para uma redução de juros em 2026, enquanto as projeções de inflação foram elevadas, com a inflação do PCE (despesas de consumo pessoal) prevista em 2,7% até dezembro de 2026, frente a 2,4% anteriormente.

Conforme a ata do FOMC, os ganhos de empregos permaneceram modestos, a taxa de desemprego mudou pouco, e a inflação continua relativamente elevada. O comitê também observou que o impacto econômico dos desenvolvimentos no Oriente Médio é incerto.

O chair do Fed, Jerome Powell, adotou um tom mais hawkish, alertando que a inflação elevada reflete principalmente os preços de bens, impulsionados por tarifas. Ele disse que custos adicionais de energia podem sustentar a inflação no curto prazo e que as expectativas de inflação aumentaram com a guerra no Oriente Médio. Embora o caminho mediano das taxas permaneça inalterado, Powell apontou para menos cortes e afirmou que o Fed precisa ver avanços na inflação antes de cortar as taxas novamente.

Esse cenário elevou os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA e fortaleceu o dólar, com os traders reduzindo as expectativas de cortes da taxa pelo Fed, e os mercados já não precificando mais um corte de 25 pontos-base até o fim do ano.

Ao mesmo tempo, o aumento nos preços do petróleo também sustenta o dólar, já que o petróleo é precificado em USD, estimulando a demanda por caixa e pesando sobre o ouro.

Energia e geopolítica: impactos no cenário

As tensões geopolíticas se intensificaram após ataques de mísseis do Irã a uma alocação em Qatar, importante instalação de LNG, em retaliação a um ataque israelense ao campo de gás South Pars. Arábia Saudita, Emirados Árabes e Kuwait também relataram ataques iranianos a infraestrutura energética.

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse que Israel agiu com “raiva” e que não atacaria novamente o South Pars. No entanto, alertou que os EUA poderiam “explodir todo o campo de gás de South Pars” se o Irã lançar novos ataques às instalações de LNG do Qatar.

Uma declaração conjunta do Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Holanda e Japão na quinta-feira disse que estão prontos a tomar medidas para estabilizar os mercados de energia, incluindo cooperação com grandes países produtores para aumentar a oferta. O texto também disse que eles estão preparados para ajudar a assegurar passagem segura pelo Estreito de Hormuz.

Análise técnica: quedas empurram o XAU/USD em direção à SMA de 100 dias

Os vendedores assumiram o controle na tendência de curto prazo após o preço romper com força o nível psicológico de US$ 5.000 e a média móvel simples de 50 dias em US$ 4.976, após uma ruptura de um padrão de bandeira bearish no gráfico diário. O movimento ampliou o impulso de queda, empurrando o XAU/USD em direção à SMA de 100 dias, em torno de US$ 4.600.

Os indicadores de momentum reforçam o viés bearish. O RSI está próximo de território de sobrevenda em torno de 33, sugerindo pressão de venda forte. O MACD continua no território negativo com histograma ampliando, indicando maior momentum de baixa, enquanto o ADX próximo de 17 aponta que a tendência ainda está se desenvolvendo.

Uma quebra persistente abaixo da SMA de 100 dias pode intensificar a pressão de venda, abrindo alvos de queda para o mínimo de fevereiro próximo de US$ 4.400, seguido pelo patamar psicológico de US$ 4.000.

No lado positivo, a SMA de 50 dias, em torno de US$ 4.976, atua como resistência imediata, seguida pela faixa de US$ 5.000 a US$ 5.100. Uma recuperação acima de US$ 5.200 seria necessária para invalidar a estrutura atual de baixa.

Perguntas frequentes sobre o ouro

Por que as pessoas investem em Ouro?

O ouro tem tradição de reserva de valor e funciona como refúgio em tempos de turbulência. Além de seu brilho e uso em joias, é visto como proteção contra inflação e depreciação de moedas, pois não depende de um emissor específico.

Quem detém a maior parte do Ouro?

Os bancos centrais são os maiores detentores. Eles diversificam reservas para reforçar a solidez de suas economias, e grandes aquisições ajudam a sinalizar solvência. Nos últimos anos, bancos centrais de emergentes têm aumentado as reservas de ouro.

Como o Ouro se correlaciona com outros ativos?

O ouro tende a ter correlação inversa com o dólar e com títulos do Tesouro dos EUA, servindo como hedge em tempos de crise. Em cenários de risco, o ouro tende a se beneficiar quando há queda de ações, e recua quando o apetite por ativos de risco retorna.

Do que depende o preço do Ouro?

O preço é influenciado por vários fatores, incluindo instabilidade geopolítica, inflação, políticas de juros e a direção do dólar. Como o ouro é cotado em dólares, a força do dólar tende a moderar ou amplificar movimentos de preço, com dólar forte pressionando para baixo o Ouro.