Ouro recua após cortes do Fed e se mantém abaixo das máximas históricas

  • O ouro estabiliza após a volatilidade induzida pelo Fed, negociando perto de US$ 3.770 por onça.
  • O Fed cortou a taxa de fundos federais para a faixa de 4,00%-4,25%, pela primeira vez desde dezembro.
  • A nova projeção de pontos indica espaço para mais duas quedas em 2025.

O metal precioso limitou os ganhos depois da decisão amplamente esperada, que já era precificada por parte do mercado. A realização de lucros e a alta do dólar americano pressionaram o ouro, que encerrou o dia com baixa de aproximadamente 0,9%.

À época deste texto, o XAU/USD mostra leve recuperação, recortando parte das perdas do pregão anterior. A cotação oscila em torno de US$ 3.770, após tocar mínima intraday de US$ 3.634, com sinal de retomada modesta de semblante positivo.

O Fed iniciou o ciclo de cortes com a primeira redução desde dezembro, trazendo a taxa de juros para o intervalo de 4,00%-4,25%. Em seu comunicado, o banco central destacou que a atividade econômica moderou e que o mercado de trabalho mostra sinais de arrefecimento, mantendo a inflação acima da meta de 2% e apontando riscos de downside para o emprego.

Embora a decisão tenha ficado dentro do esperado, o foco ficou na atualização do gráfico de pontos, que sinaliza possibilidade de mais duas reduções ainda neste ano. O presidente do Fed, Jerome Powell, ressaltou que o aperto monetário pode ser ajustado conforme necessário, com cortes dependentes de como evoluem dados de crescimento, emprego e inflação.

Direção do mercado: corte do Fed, coletiva de Powell e volatilidade

  • Dados dos EUA mostraram queda nas solicitações iniciais de auxílio-desemprego na semana encerrada em 13 de setembro, indicando saudável avanço da atividade regional.
  • A mediana das previsões para as taxas em 2025 sugere cerca de 50 pontos-base de novas facilidades até o fim do ano, com o \”ponto médio\” para 2025 recuando para 3,50%-3,75%.
  • As projeções de PIB para 2025 subiram levemente enquanto a taxa de desemprego permaneceu estável em 4,5%; a inflação medida pelo PCE permanece em torno de 3,0% para 2025.

Na prática, o cenário aponta para mais cortes ainda em 2025, com o tom mais dovish já amplamente precificado. Os ativos refletiram essa perspectiva com forte reação do dólar e do rendimento dos Treasuries, enquanto ações nos EUA apresentaram direção mista. Powell enfatizou que o banco não está em um caminho fixo e que as decisões virão de encontro com os dados.

Visão técnica: o ouro consolida abaixo de máximas recordes

No gráfico de 4 horas, o ouro sustenta suporte próximo de US$ 3.650, reforçado pela média móvel simples de 50 períodos. Um recuo abaixo dessa região abriria espaço para testes em torno de US$ 3.600, enquanto uma manutenção acima poderia manter a tendência de alta.