Ouro atinge novo recorde de US$ 3.646 com aumento das apostas no corte de juros do Fed

  • XAU/USD reage após o relatório de empregos de agosto indicar apenas 22 mil novas vagas e o desemprego subir para 4,3%.
  • Espera-se que o Fed reduza a taxa em 25 pontos-base em setembro, com algumas apostas de um corte maior de 50 bp.
  • Investidores observam PPI e CPI, com sinais de desinflação fortalecendo a ideia de afrouxamento da política monetária.

O ouro ampliou o rally pelo segundo dia consecutivo, atingindo US$ 3.646, alimentado pela confiança de que o Fed reduzirá as taxas na reunião de setembro. O XAU/USD opera próximo de US$ 3.634, com alta de mais de 1%.

O metal precioso sobe mais de 1% à medida que dados fracos de empregos fortalecem a precificação de cortes

A fraqueza do mercado de trabalho nos EUA levou investidores a precificar plenamente um corte de 25 bp na próxima reunião do Fed. O fraco desempenho de 22 mil vagas em agosto, aliado ao aumento de 4,2% para 4,3% na taxa de desemprego, reforçou a atratividade do ouro frente ao dólar.

Dados adicionais mostraram expansão da atividade no setor de serviços, conforme ISM Services PMI atingiu o maior ritmo em seis meses.

Há rumores de que o Fed possa retomar o ciclo de cortes com uma redução de 50 bp na reunião de setembro.

Os olhos dos traders estão voltados aos próximos dados de inflação nos EUA. O PPI é esperado na quarta-feira, antes do CPI na quinta. Se os preços continuarem a recuar, o corte estará ainda mais confirmado; caso contrário, pode surpreender e favorecer a recuperação do dólar.

Resumo diário: ouro avança enquanto aguardamos os dados de inflação dos EUA

  • O ouro é sustentado pela fraqueza do dólar, com o DXY em queda de aproximadamente 0,21%…
  • Os rendimentos dos títulos do Tesouro recuam, com o papel de 10 anos em 4,049%…
  • Dados de inflação continuam no radar; o PPI deve ficar em 3,3% ao ano; o Core PPI pode cair para 3,5%.
  • O CPI de quinta deve mostrar alta de 2,7% para 2,9%; o Core CPI deve permanecer em 3,1%.
  • A demanda física pelo metal continua firme, com ganho próximo de 38% no ano.
  • Dados da China indicaram que o BPC estendeu a compra de ouro por 10 meses.

Perspectiva técnica: o ouro pode testar a região de US$ 3.700 em curto prazo

A tendência de alta ganhou força nesta segunda, com o XAU/USD acima de 3.600, abrindo caminho para testar 3.700. O momentum se manteve positivo, confirmado pelo RSI, que permanece acima de 80 mas ainda não indicou topo definitivo. Novos ganhos devem ocorrer até o RSI recuar.

Se o par superar 3.650, as metas seguintes seriam 3.700, 3.750 e 3.800. Em caso de recuo, o suporte inicial fica em 3.578, seguido por 3.550. Em níveis mais baixos, 3.500 funciona como linha de defesa.

Gold FAQs

O ouro tem papel histórico como reserva de valor e proteção em tempos incertos, atuando como hedge contra inflação e depreciação de moedas, já que não depende de emissores específicos.

Bancos centrais continuam entre os maiores compradores, diversificando reservas para manter a solidez cambial. Em 2022, foram adicionadas 1.136 toneladas, cerca de 70 bilhões de dólares, aos estoques globais. Países emergentes como China, Índia e Turquia têm aumentado as compras.

O ouro tende a se mover de forma inversa ao dólar e aos títulos do Tesouro, ajudando na diversificação quando o dólar diminui. Também reage de forma oposta aos ativos de maior risco.

O preço é influenciado por muitos fatores. Tensões geopolíticas ou temores de recessão tendem a impulsionar o ouro. Por ser um ativo sem rendimento, ele costuma subir com cortes de juros baixos; quando os custos de dinheiro sobem, o ouro enfrenta pressão. Em geral, o câmbio do dólar é determinante, pois o ouro é precificado em dólares.